União entre bairro e empresa acaba com vandalismo
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sexta-feira, 18 de maio de 2007
Silvana Leão<br> Reportagem Local 
O trabalho conjunto entre comunidade, empresa de transporte coletivo e polícia pode ser o caminho para resolver os problemas de vandalismo e violência contra os ônibus urbanos. Prova disso é o exemplo que vem do Jardim São Jorge, na Zona Norte de Londrina. Quatro anos atrás, a maioria dos usuários pulava a roleta para não pagar passagem ou ''surfava'' nos carros, viajando sobre o teto. Hoje, a população se orgulha de poder utilizar alguns dos melhores ônibus da companhia que opera na região.
Na edição de ontem a FOLHA mostrou o problema enfrentado pelas empresas de transporte urbano e intermunicipal. Frequentemente, carros são apedrejados ou vítimas de assaltos e ameaças. ''Fizemos uma reunião com a comunidade e informamos que se o problema continuasse, a TCGL (Transportes Coletivos Grande Londrina) iria tirar os ônibus do bairro. Aí todo mundo ia ter que andar até o Chefe Newton para pegar transporte'', relembra o presidente da Associação de Moradores do bairro, Augusto Correr.
Paralelamente, os dirigentes da associação iniciaram um árduo trabalho, que durou cerca de seis meses: ''A gente andava dentro dos ônibus, fizemos umas 50 viagens até o terminal. Fazíamos todo mundo pagar, e quando a gente flagrava alguém pegando 'rabeira', confiscávamos a bicicleta e fazíamos os pais virem buscar. Não foi fácil mudar a mentalidade das pessoas, depois de tanto tempo andando de graça nos ônibus, mas conseguimos'', orgulha-se Correr.
O diretor de operações da TCGL, Daniel Martins, confirma a eficácia do trabalho desenvolvido no São Jorge. ''Hoje, se compararmos com a situação que enfrentávamos na época, estamos no céu.'' Martins afirma, porém, que foram necessárias muitas reuniões com os moradores e a criação de uma relação de confiança. ''Nos colocamos como parceiros da comunidade, e ao mesmo tempo deixamos claro que ela era co-responsável pela eficiência do serviço. Conseguimos estabelecer uma boa relação, e hoje eles sabem que podem contar conosco, por exemplo, quando precisam de transporte para enterros'', explica Martins.
Para o gerente, os crimes contra os ônibus são um sinal de que a comunidade precisa de ajuda. ''Percebemos que esta é uma forma de chamar a atenção do resto da população para os problemas vividos ali. Quando a comunidade consegue se organizar, a realidade muda'', defende Martins.


