União derruba quiosques de madeira na praia de Caiobá
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quinta-feira, 02 de junho de 2005
Fábio Galão<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Quiosques de madeira localizados em frente à praia de Caiobá, em Matinhos (Litoral do Paraná), foram derrubados ontem para cumprimento de determinação da Gerência Regional de Patrimônio da União. A área onde foram construídos os estabelecimentos pertence ao governo federal. A alegação da Gerência Regional foi de que os comerciantes estavam irregulares no local há mais de três anos, já que receberam autorização para trabalhar na área apenas durante a temporada de verão entre o final de 2001 e o início do ano seguinte.
''A situação foi sendo protelada até que chegou a um ponto em que ou nós derrubávamos os quiosques, ou eles seriam interditados por algum órgão de saúde'', justificou Dinarte Antonio Vaz, gerente regional de Patrimônio da União. Ele argumentou que a madeira dos quiosques estava apodrecendo e que os estabelecimentos, que comercializavam principalmente comida (milho verde, sorvetes) e bebidas, não tinham condições de higiene adequadas.
''Além disso, a área se tornou alvo de mau uso, de especulação'', disse Vaz. O presidente da Cooperativa dos Ambulantes, Artesãos, Quiosqueiros e Afins de Matinhos, Lázaro de Oliveira, afirmou que os comerciantes não foram notificados judicialmente sobre a ação de ontem.
''Gente da Prefeitura de Matinhos foi à Gerência Regional de Patrimônio da União pedir para demolir os quiosques. Construímos tudo com nosso dinheiro. O prefeito (Francisco Carlim dos Santos, do PSDB) nunca nos atendeu para conversar sobre o assunto'', apontou Oliveira. O comerciante, que era proprietário de um dos quiosques demolidos, negou que havia especulação e que faltavam condições de higiene.
''Os quiosques eram de boa madeira, tudo certinho. Eu viajei o Brasil inteiro e em todas as praias (os quiosques) são iguais aos nossos'', disse Oliveira. Ele afirmou que a cooperativa entrou com duas ações no Fórum de Matinhos para evitar que a União os retirasse da área em frente à praia. Até a tarde de ontem, não havia decisão judicial.
A polêmica é tanta que sequer se sabe ao certo o número de quiosques que havia na área: a cooperativa defendeu que eram 22, mas a Gerência Regional de Patrimônio sustentou que eram apenas 11. O prefeito Francisco dos Santos negou que a prefeitura tenha intercedido junto à União. ''Não compete a mim deixar comerciante ficar lá ou não. A área não é da prefeitura'', comentou.
Santos afirmou que a prefeitura irá fazer um projeto para revitalizar o local. ''Instalaremos banheiros e um espaço para artesanato. Além disso, serão construídos quiosques de alvenaria padronizados, cujo uso será licitado. Queremos entregar o projeto para aprovação da Gerência Regional de Patrimônio da União dentro de 60 dias'', disse o prefeito.
Oliveira comentou que não acha ''justo'' que seja feita licitação. ''Trabalhamos na praia durante muito tempo. Não acho certo que haja uma concorrência e que pessoas de Londrina, Curitiba ou de outras cidades venham, ofereçam um valor alto e ocupem o local'', afirmou ele. Vaz disse que os comerciantes dos quiosques foram avisados para saírem da área em frente à praia. ''Ordem judicial não era necessária. Vários documentos foram enviados e eles sabiam que tinham que sair'', concluiu.


