Curitiba

Albari RosaSurpresaMoradores foram surpreendidos pelos tratores cedidos pela prefeitura para que a União derrubasse as casas construídas irregularmente. Por enquanto, as casas de pescadores construídas à beira-mar estão sendo poupadas. Eles serão transferidos para áreas adquiridas pela prefeitura, mas vão ter que pagar pelo terrenoVárias casas do Litoral paranaense voltaram a ser destruídas ontem pela Secretaria do Patrimônio da União. Desta vez, os alvos dos tratores foram as casas de veranistas do balneário de Ipanema, que haviam sido erguidas na área de restinga - trecho coberto vegetação rasteira próximo à praia. Esta é a terceira vez nos últimos dois meses que o Secretaria de Patrimônio da União derruba casas no Litoral do Paraná.
Apesar de terem sido informados sobre a necessidade de deixar o local, que desde o início do ano está sendo apontado como área de ocupação irregular, muitos moradores ficaram revoltados com a chegada das máquinas e da Polícia Federal. Segundo os moradores do balneário de Ipanema, a prefeitura havia determinado que o despejo só começaria a acontecer a partir hoje.
Surpreendidos com os tratores, muitos moradores ficaram desesperados na tentativa de salvar eletrodomésticos, móveis, panelas e pertences pessoais. Muito nervosa, a dona de uma das primeiras casas a ser destruídas, Teresinha Vitti, enfrentou os policiais federais para conseguir retirar um vaso de plantas que havia restado na varanda. ‘‘São plantas de mais de 14 anos que não precisariam ser destruídas’’, gritava.
Teresinha mantinha no local uma pousada, usada durante todo o ano para hospedar turistas. Ela afirma que não recebeu nenhum comunicado oficial sobre o despejo. Pela avaliação da União, as casas de veranista e com fins comerciais são as mais irregulares, já que utilizam áreas consideradas de uso comum como um bem privado. ‘‘Ninguém pode explorar comercialmente uma coisa que pertende a todos’’, defende o chefe da Divisão Patrimonial de Administração Patrimonial, João Tiago Candeu.
Por enquanto, as casas de pescadores construídas à beira-mar estão sendo poupadas do desmanche. Eles serão transferidos para outras áreas, já adquiridas pela prefeitura. O pescador aposentado José Correia, que mora há sete anos no local, teve tempo de pedir aos oficiais de Justiça que sua casa fosse poupada da destruição. Os tratores cedidos pela prefeitura demoliram apenas a casa construída ao lado da do pescador, que pertencia a um veranista residente em Curitiba.
Apesar da promessa da tranferência, muitos pescadores temem não ter dinheiro suficiente para adquirir as novas casas construídas pela prefeitura. No caso do pescador José Correia, 10% da sua aposentadoria de R$ 200,00 terão de ser destinados mensalmente para a aquisição das novas residências. Os moradores não estão recebendo qualquer indenização pela destruição das casas.
A intenção da Secretaria de Patrimônio da União é que, até dezembro, todas as casas construídas nas áreas irregulares serão retiradas do local.

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