Até o próximo final de semana, médicos da Santa Casa de Londrina pretendem realizar aproximadamente 50 cirurgias de várias especialidades. O ‘esforço mútuo’ faz parte de uma iniciativa do centro cirúrgico, juntamente com a direção clínica do hospital, com o objetivo de diminuir a fila eletiva – não emergencial – formada por usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) que há tempos esperam por um procedimento cirúrgico. Hoje, são 351 pessoas aguardandoo por algum tipo de intervenção.
  Cerca de 35 médicos já aderiram à iniciativa, que começou na última quarta-feira. ‘‘Com a boa vontade e esforço desses profissionais esperamos diminuir a fila de espera. As cirurgias acontecem de acordo com a disponibilidade dos horários dos especialistas, bem como leitos vagos’’, explicou Weber Arruda Leite, diretor clínico do hospital. Até ontem, já haviam sido realizadas cirurgias plásticas, gerais, ortopédicas e neurológicas. Ainda segundo o diretor, já na próxima semana será feito um levantamento para expansão de atendimento em outras áreas com maior necessidade.
  Um dos participantes da iniciativa é o ortopedista Marcus Vinícius Danieli, que até sexta-feira fará 13 cirurgias em pacientes para colocação de próteses nos joelhos. Os beneficiados serão principalmente pacientes com mais de 60 anos, vítimas de artrose no joelho, incapacitados de andar e que convivem diariamente com a dor.
  ‘‘Eram 15 pessoas aguardando, mas duas morreram em decorrência de outros problemas de saúde antes de conseguirem realizar a colocação da prótese. Alguns exames de risco cirúrgico, que têm duração de seis meses, venceram antes que a cirurgia fosse realizada’’, contou Danieli, que nesta semana realizará três cirurgias diárias, em média, para zerar a fila das pessoas que atende no ambulatório do Consórcio Intermunicipal de Saúde do Médio Paranapanema (Cismepar).
  ‘‘Depois de eliminar a espera, pretendemos agendar as cirurgias em um ritmo normal para evitar essa situação abusurda. O ideal é que as pessoas esperem no máximo de dois a três meses’’, explicou. Segundo ele, a demora na liberação das cirurgias, a falta de leitos e equipamentos e até mesmo a agenda dos médicos são fatores que contribuem para o extenso período de espera.
  Uma das pacientes beneficiadas é a aposentada Maria Bezerra da Silva, 72 anos, de Cafeara (Norte), que foi internada ontem e se submeteria à cirurgia no início da tarde. Vendedora de produtos para enxovais, ela está impossibilitada de visitar os clientes porque não consegue andar. Lavar roupas, limpar a casa e visitar os filhos são outras atividades que faziam parte da rotina e que acabaram abandonadas por causa da doença.
  ‘‘Sinto dor todos os dias’’, contou ela, que colocaria a prótese no joelho esquerdo. Ela pretende operar também o joelho direito assim que for possível. Aguardando há alguns meses pela oportunidade, a aposentada estava ansiosa para voltar a Cafeara e finalmente recuperar a independência. ‘‘Quero poder fazer as coisas em casa e também visitar meus filhos’’, planeja.  (Colaborou Marian Trigueiros)

mockup