Pelo menos 150 famílias já foram retiradas de suas casas em União da Vitória, Sul do Estado, em função do risco de enchentes no município. O Rio Iguaçu ultrapassou o nível considerado de emergência e durante o final de semana subiu cerca de três centímetros por hora. Algumas casas foram alagadas, mas a maior parte das famílias saiu de casa por precaução.
No início da tarde de ontem a altura do Rio Iguaçu, medida com régua, era de 6,34 metros, bem acima do nível normal, que é de 2,40 metros. A Defesa Civil estima que se, não voltar a chover, a situação estará normalizada em dois ou três dias. A atenção é principalmente para o clima na região de Curitiba, que faz parte da mesma bacia hidrográfica. ‘‘Quando chove forte nessa região, o rio demora cerca de quatro dias para encher aqui’’, explicou o coordenador local da Defesa Civil, Mário Slomper.
Curitiba teve um dia ensolarado ontem, depois da intensa precipitação no sábado. A previsão do Sistema Meteorológico do Paraná para hoje é de tempo instável na maior parte do Estado, inclusive na região Sul, para onde estão previstas chuvas à tarde ou à noite.
Além de União da Vitória, o tempo instável já causa preocupação no município de Rio Negro, a 110 quilômetros de Curitiba. O rio que dá nome à cidade subiu quase quatro metros durante a semana passada. Até agora não há desabrigados.
Desde quinta-feira, a Defesa Civil faz plantão ininterrupto em União da Vitória, trabalhando com 29 caminhões e cerca de cem pessoas, entre voluntários e funcionários da prefeitura, do Departamento de Estradas de Rodagem e de empresas. A situação é mais preocupante em dez bairros da cidade, de 47 mil habitantes.
As famílias retiradas de casa estão abrigadas em salões paroquiais e no parque de exposições do município. O coordenador local da Defesa Civil disse que muitas outras famílias devem ter ido espontaneamente para casas de parentes e amigos.
Segundo Mário Slomper, a situação está ‘‘sob controle’’. ‘‘Já aprendemos a conviver com enchentes e este ano, em função das notícias sobre o efeito El Ni¤o, fizemos um trabalho preventivo que está sendo muito útil’’, disse. As duas últimas grandes enchentes em União da Vitória aconteceram em 1992 e 93. Mas a maior, cuja lembrança até hoje incomoda a cidade, foi a de 1983, quando mais de 20 mil pessoas ficaram desabrigadas.

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