União da Vitória é vítima das águas
União da Vitória é vítima das
águas
As pessoas vivem
para reconstruir o
que a chuva destrói,
diz morador
Cristine Pieske
Curitiba
Mauro FrassonRiscoCercada pelo
Rio Iguaçu, União da Vitória é fortemente atingidas pelos efeitos das chuvas.
Na última grande enchente, também provocada pelo El Niño, em 1983, mais de
30 mil moradores ficaram desabrigados. Considerando as outras duas grandes
cheias, em 1992 e 1993, o município soma prejuízos próximos a R$ 86
milhões. Na área inundada pelo rio, vivem 2,8 mil
famílias
O município paranaense mais atingido por enchentes
quer apagar o estigma de cidade das inundações. Se a
proximidade da chegada do fenônemo El Niño não permite nenhuma solução
rápida, a prefeitura e os moradores de União da Vitória começam a fazer
planos para tentar resolver - ao menos a longo prazo - os problemas das
cheias. Aqui, as pessoas vivem para reconstruir o que a chuva
destrói, diz o presidente da Corpreri, uma ONG criada para
estudar as enchentes, Dago Alfredo Woehl.
Há projetos para relocação de
famílias ribeirinhas, criação de um novo eixo de desenvolvimento e até mesmo
de construção de um dique ao redor da cidade - tudo para inaugurar uma nova
fase na história do município, sem catástrofes, desabrigados e perda de tempo
e dinheiro.
Desde a notícia das primeiras
cheias, em 1891, até agora, as enchentes renderam a União da Vitória apenas o
insulto de povo com vocação para lambari,
disparado recentemente por um político, e uma visível estagnação econômica.
Na última grande enchente, também provocada pelo El Niño, em 1983, foram
mais de 30 mil desabrigados. Considerando as outras duas grandes cheias, em
1992 e 1993, o município já soma prejuízos próximos a R$ 86 milhões.
Cercada quase completamente
pelo Rio Iguaçu, a cidade é uma das primeiras a sentir o impacto das chuvas.
Quando há cheias, o rio costuma transbordar até a cota 746,5 metros - altura
estabelecida a partir do nível do mar. Nesta faixa moram cerca de 2,8 mil
famílias, todas em situação irregular.
O que precisa
haver em União da Vitória é uma mudança de mentalidade, diz
o presidente da Corpreri. Segundo Woehl, as pessoas já estão tão
acostumadas a ver suas casas invadidas pela água que nem pensam em deixar
a beira do rio.
O secretário municipal do Planejamento e coordenador da Defesa Civil, Mário
Slomp, defende a desocupação das margens do Rio Iguaçu como a única
forma de minimizar os estragos causados pelas cheias. Não há
como tentar vencer ou dominar a força da natureza, diz,
explicando o porquê da prefeitura estar abandonando os planos de construção
do dique, substituindo-o pela relocação das famílias ribeirinhas.
A partir do próximo ano, a
prefeitura pretende criar incentivos - como a diminuição das tarifas de IPTU e
a melhoria da infra-estrutura - para forçar a mudança das
famílias para determinadas regiões da cidade. Queremos ser um
exemplo para o mundo de como se resolve o problema, diz o
secretário.





