''A união fez a vitória.'' Esta constatação indica as circunstâncias históricas do surgimento do bairro e da origem do nome. A explicação é de Nelson Cardoso, 40 anos, morador do Jardim União da Vitória (zona sul) desde 1989 e atuante líder comunitário. Na segunda-feira, os moradores vão comemorar 18 anos de criação do bairro, que hoje é dividido em quatro unidades. Com uma população de cerca de 16 mil habitantes, o União da Vitória foi formado inicialmente por uma ocupação de 15 famílias provenientes da Favela OK, atual assentamento Nova Conquista.
A união entre os moradores surgiu num momento de dificuldade. Os terrenos ocupados eram usados para cultivo de milho, mandioca e abóbora. Com a desocupação determinada pelo Poder Público, as famílias foram encaminhadas para albergues da cidade. Indignados, os moradores acamparam na Concha Acústica, no centro, e em seguida em frente ao prédio da prefeitura. Uma comissão cobrou das autoridades a regularização fundiária e conseguiu voltar para a área. ''Esta foi a principal conquista dos moradores do bairro'', analisou João Batista de Marques, 39, que vive no União da Vitória há 18 anos.
Segundo Marques, a regularização possibilitou o progresso da região. ''Foi importante porque as pessoas passaram a ter endereço. Isto facilitou na procura de emprego e melhorou o qualidade de vida'', enfatizou. Segundo as lideranças, a capacidade de mobilização para reivindicar direitos e melhorias é marca registrada na história do bairro. Entre as conquistas viabilizadas pela luta dos moradores, Marques cita a pavimentação até o União 4 do bairro, a rede de esgoto existentes nos três primeiros, transporte coletivo, posto de saúde, Programa de Saúde da Família e três escolas.
O comerciante Antonio Marcos de Menezes, 36, pode ser considerado um pioneiro entre os pioneiros. Antes da ocupação em 1985, ele cultivava uma horta na área. ''No início, aqui só tinha buracos e barracos. Mudou da água para o vinho'', disse. Hoje, ele é dono de um mercado, que administra com ajuda da esposa Ângela Cristina. Sua principal preocupação é a segurança, especialmente por causa dos filhos: Grace Kelly, sete anos, e Luís Eduardo, de quatro meses. ''A violência daqui é um influência muito ruim para uma criança.''
O comerciante Edgar Campos de Souza, 37, mora no bairro há 12 anos. Quando chegou, relembra, ''o bairro era bem carente, só havia um pouco de infraestrutura no União 1''. ''Começamos a nos organizar por indignação. Agora o bairro é referência em organização comunitária em Londrina.'' Como exemplo da mobilização política, as lideranças destacam a criação do Conselho de Entidades do União da Vitória, formado por 150 representantes de 18 instituições.
Uma das ações comunitárias mais atuantes da região é a Escolinha União Esporte Clube, que disponibiliza oportunidades de lazer a cerca de 150 crianças, principalmente em situação de risco. As atividades esportivas são desenvolvidas no Centro Comunitário do Projeto Viva Vida.

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