União dá força, mas nem tanto
Das 35 ONGs que fazem a coleta de reciclados em Londrina 19 estão representadas pela Central de Pesagem e Vendas (Cepeve), que gerencia e comercializa o material recolhido por mais de 350 trabalhadores. A união deu maior força aos grupos mas, nem por isso, os salvou da tirania do mercado. Isso faz, por exemplo, com que raríssimos trabalhadores consigam contribuir com a Previdência Social.
Presidente da Cepeve, Sandra Araújo Barroso da Silva fala com incerteza sobre o futuro, principalmente por causa da lei federal que obriga que os geradores de mais de 200 kg de resíduos diários dêem a devida destinação por conta própria. Ela teme que os preços praticados sejam reduzidos por causa dos custos extras que as empresas terão. O quilo do papelão, por exemplo, já teria baixado R$ 0,04. ''Não sabemos nem se vamos conseguir chegar até o final do ano'', alerta.
A atuação conjunta minimiza as adversidades, porque os recicladores atraem compradores e podem brigar por preços melhores. ''Centralizamos tudo e o comprador não gasta com transporte e tem quantidades maiores. O filiado tem um preço mínimo e sabe que todo dia 15 e dia 1º vai receber. Antes, muito comprador buscava só quando estava precisando e já tivemos até casos de calote'', compara. A Cepeve coleta pouco mais de 100 toneladas por mês.
Mesmo assim, o salário de cada associado não passaria dos R$ 400,00. Cada um ainda contribui com 5% de tudo que ganha. Os recursos pagam dois prensistas, compram materiais e cobrem despesas com luz, telefone e manutenção de equipamentos. A prefeitura contribui repassando os sacos plásticos e com o transporte do material dos bairros até a Cepeve e a central de prensagem.
A situação é tão crítica que, segundo Sandra, os grupos não podem abrir mão do trabalho de doentes, das grávidas e das parturientes. ''Tem associação que não aceita que sejam pagos mais do que 15 dias de licença para a mulher que deu à luz. Em caso de doença, vai da consciência do grupo e só paga se a pessoa estiver internada. Saiu do hospital hoje, amanhã já tem serviço'', lamenta a dirigente.
Sandra critica que a ajuda oficial é pequena e, por isso, as boas notícias não estariam repercutindo na renda dos trabalhadores. Ela lembra que a prefeitura paga para empresas atuarem na coleta seletiva e deveria também contribuir de forma mais efetiva com as ONGs. (L.A.)





