O Conselho Nacional de Educação apresentou parecer favorável para anular o vestibular do Centro Universitário Campos de Andrade (Uniandrade). As provas foram realizadas no dia 14 de março, em Curitiba. O que mais chamou a atenção dos integrantes do conselho foi a quantidade de cursos oferecidos pela instituição: 47. A Uniandrade tinha autorização do Ministério da Educação (MEC) para funcionar com apenas oito cursos. A criação de outros 11 estava prevista num projeto de expansão gradual, que duraria cinco anos.
A anulação do vestibular depende ainda de homologação do ministro da Educação, Paulo Renato de Souza. No entanto, o início das aulas, previsto para 5 de abril, está ameaçado. A decisão dependerá de conversas entre os representantes do MEC e a direção da Uniandrade. O ministro deve designar uma comissão formada por três professores de universidades públicas para conduzir um inquérito administrativo na Uniandrade. Esta investigação vai avaliar quais as reais condições que o centro universitário oferecerá para manter os cursos ofertados.
Propor o cancelamento do vestibular surgiu através do trabalho de outra comissão do conselho que investigou há duas semanas as denúncias de aumento quantitativo de 39 cursos na Uniandrade. Os conselheiros fizeram críticas ao comportamento da direção do centro universitário. ‘‘Tal conduta representa por si um abuso de confiança que este conselho depositou na instituição ao opinar favoravelmente ao seu credenciamento como entidade dotada de autonomia para criação de curso de graduação e de fixar os respectivos números de vagas’’, disseram os conselheiros Éfrem Aguiar Maranhão e Jacques Velloso.
A Uniandrade passou a condição de Centro Universitário no dia 11 de fevereiro. Um mês depois já realizava o seu vestibular, oferecendo cerca de 7 mil vagas em 47 cursos de nível superior. Aproximadamente 3 mil candidatos aparecerem e 1.785 foram aprovados na primeira chamada. Como a instituição não atingiu o número de matrículas esperadas, extinguiu 29 cursos. A Associação de Defesa e Orientação do Cidadão (Adoc) já recebeu reclamações dos candidatos que tiveram seus cursos suspensos.
O parecer dos conselheiros do ministério cita que a Uniandrade não esclareceu os candidatos sobre as condições de funcionamento dos cursos abertos. O documento diz que a adoção do inquérito é necessária para evitar que os alunos tenham prejuízo ao estarem frequentando eventuais cursos.

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