Valmir Denardin
De Foz do Iguaçu
O Comitê de Patrimônio da Unesco (órgão das Nações Unidas encarregado da preservação do meio ambiente, da cultura e de bens históricos) decidiu incluir o Parque Nacional do Iguaçu na lista de Patrimônios da Humanidade em Perigo. A decisão foi tomada anteontem, em Marrakech, no Marrocos, onde os 21 membros do comitê, representando nações do mundo todo, estão reunidos desde segunda-feira.
Três fatores levaram o comitê a tomar a medida: a abertura ilegal da Estrada do Colono, que corta o parque e já dura quase dois anos; a utilização de helicópteros para sobrevôos turísticos nas Cataratas e o fato de que o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) – órgão federal que administra a reserva – não ter colocado em funcionamento o novo Plano de Manejo, documento que determina as atividades permitidas para cada área da reserva.
Com 182 mil hectares de mata, o Iguaçu é o único parque brasileiro que possui o título de Patrimônio Natural da Humanidade, concedido em 1996. Para não perdê-lo, agora o governo brasileiro terá um prazo de dois anos para solucionar esses três problemas. ‘‘É vergonhoso ver o principal parque brasileiro nessa situação’’, afirmou à Folha o diretor da reserva, Julio Gonchorosky. ‘‘Espero que agora seja tomada alguma atitude.’’
Para a ambientalista curitibana Teresa Urban, integrante do Fórum Pró-Conservação da Natureza, a ameaça de cassação do título provocará graves consequências econômicas. Organismos internacionais poderão negar financiamentos para investimento ambiental no Brasil e as agências de viagens da Europa e dos Estados Unidos costumam boicotar destinos turísticos cuja preservação está ameaçada. Dos 655 mil visitantes que o Iguaçu já recebeu este ano, 50% eram estrangeiros.
O assessor de imprensa da Aipopec (entidade regional que coordena a abertura da Estrada do Colono), Sadi de Oliveira, disse que a posição da Unesco foi tomada com base em ‘‘informações distorcidas do lobby ambientalista’’. Segundo ele, o título nunca trouxe benefícios concretos ao parque. ‘‘Após esses 2 anos de análise, a Unesco vai constatar que a decisão foi equivocada’’.
Ligando as regiões Oeste e Sudoeste do Estado, a Estrada do Colono está aberta desde janeiro de 1997. Uma comissão de moradores e políticos das duas regiões mantém o tráfego de veículos na via, com a cobrança de pedágio dos veículos que a utilizam.Brasil ganha prazo de 2 anos para fechar Estrada do Colono, suspender vôos de helicópteros e implantar Plano de Manejo da reserva
Arquivo FolhaFUNCIONAMENTO ILEGALEstrada do Colono está aberta desde janeiro de 1997; usuários pagam pedágio para trafegar no trecho

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