Unati promove encontro de gerações
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terça-feira, 13 de junho de 2000
Érika Pelegrino De Londrina 
Alguns psicólogos afirmam que os avós são uma espécie em extinção. Aquela avó benevolente que mima o neto e esconde suas traquinagens parece não existir mais. Para alguns psicólogos, homens e mulheres que se tornam avós atualmente estão mais voltados para suas vidas do que para um relacionamento mais estreito com netos.
Muitos avós têm uma outra versão para a mudança nas relações entre avós e netos. Eles se sentem abandonados pelos jovens e excluídos nas relações familiares. O Grupo da Família da Universidade Aberta da Terceira Idade (Unati) está discutindo a questão familiar e o idoso.
Os problemas familiares começaram a ser debatidos ontem com o encontro de gerações realizado pelo grupo no Sesc/Aeroporto. A coordenadora do Grupo da Família, Marlene Silva Juck explica que o objetivo do encontro, que contou com mais de 50 pessoas, foi de ressaltar a importância do diálogo entre avós e netos.
Segundo ela, hoje as pessoas da terceira idade se ressentem muito da falta de contato e atenção dos mais jovens. Marlene Juck afirma que os netos, quando atingem uma idade próxima a adolescência, não querem mais saber dos avós. Na sua opinião, isto acontece porque não há uma cultura familiar que reforce a importância dos avós.
Na opinião dela são as mães que não ensinam seus filhos a respeitar e valorizar os mais velhos. Eu sempre ensinei meus filhos a respeitar minha mãe, meu pai. Até hoje, já adultos eles visitam os avós, beijam a mão deles, afirma. Não se trata de um respeito conservador, mas uma relação gostosa de pular no colo e gostar de estar junto.
Para Marlene Juck, se a mulher não respeita e valoriza sua própria mãe, os netos não terão afeição pelos avós. A importância da relação entre avós e netos não está restrita à necessidade de carinho e atenção dos mais velhos. Marlene Juck ressalta que a sabedoria e conhecimento adquirido durante uma vida inteira não são aproveitados pelos mais jovens.
Ela afirma que hoje o jovem não conhece a história de seus avós, que constitui parte de sua própria história. Infelizmente esta parte da vida destes jovens acaba suprimida, lamenta. Claudina Maria da Conceição, 93 anos, é uma das avós que participou do encontro de gerações.
Claudina foi ao encontro com sua tataraneta Monike, 8 anos, e sua bisneta Rayssa, 10 anos. Ela se diz uma felizarda já que que seus cinco filhos mantém uma relação muito presente e carinhosa com ela. Viúva há 10 anos, a cearense que chegou em Londrina há 35 anos mantém um contato constante com seus 30 netos, 40 bisnetos e 10 tataranetos.
Eles estão sempre na minha casa. Esta é a minha grande alegria, afirma. Aos 90 anos, Helena Garuti Balarotti, diz que a união da família é muito importante. Meu grande prazer é reunir todos os filhos, afirma.
O jeito de educar os filhos é para estas mulheres a grande diferença entre as gerações. Claudina explica que quando seus filhos eram crianças e adolescentes, o respeito pelos pais era muito maior do que hoje. Os limites, segundo ela, também eram mais rígidos. Meus filhos estavam em casa às 22 horas. Hoje as coisas mudaram e à meia-noite eles estão saindo, observa.


