Umuarama comemora 100º transplante de rim
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segunda-feira, 25 de novembro de 2002
Vânia Moreira<br> Equipe da Folha 
Umuarama O Instituto do Rim e o Hospital São Paulo de Umuarama festejaram neste final de semana, junto com transplantados e insuficientes renais crônicos, a marca de 100 transplantes de rim realizados desde que os médicos começaram a fazer este tipo de cirurgia na cidade, há 17 anos.
Desde o primeiro transplante, dia 30 de novembro de 1985, muita coisa melhorou, segundo a nefrologista Sandra Mara Olivier Martins. Até 1995, as equipe contavam basicamente com a sorte para conseguir um rim e muitas doações se perdiam por causa da demora para encontrar um receptor compatível, as dificuldades de transporte do órgão doado e outros problemas. ''Fazíamos trocas basicamente com os centros médicos de Maringá e Londrina. Quando tínhamos uma doação e não havia receptor aqui, mandávamos para Maringá e vice-versa''.
A criação da Central de Transplantes, em 95, organizou a captação e recepção de órgãos, as filas de espera e criou estrutura para deslocamento das equipes e transporte dos órgãos doados. Agora, uma doação feita em Curitiba pode ser distribuída para pacientes de qualquer região do Estado, embora a preferência seja para os pacientes na fila de espera da central de origem da doação. A população também está mais consciente e o número de doadores aumentou, apesar de ainda ser pequeno diante do número de pessoas na fila de espera.
Novos medicamentos mais eficazes, equipamentos de alta tecnologia e melhorias no atendimento prestado pelo Serviço Único de Saúde (SUS) aumentaram os índices de sobrevivência e melhoraram a qualidade de vida dos doentes. Hoje, praticamente todos os doentes recebem regularmente os medicamentos de uso contínuo. Moradores da região que precisam viajar para Umuarama duas ou três vezes por semana para fazer hemodiálise recebem transporte e auxílio-alimentação das prefeituras.
O SUS melhorou a remuneração do tratamento de hemodiálise e das cirurgias de transplante. O Instituto do Rim substituiu as máquinas mecânicas e velhas por equipamentos computadorizados fabricados na Alemanha. Atualmente, 80 portadores de insuficiência renal crônica fazem hemodiálise regulamente na clínica, mas a capacidade é para até 110 pacientes. Os doentes são moradores de Umuarama, de outros 31 municípios da região e até de Mato Grosso do Sul e do Paraguai.
Até meados de 90, médicos e pacientes enfrentavam muitas dificuldades. Os pacientes mais carentes eram obrigados a enfrentar viagens de até 2 ou 3 horas de ônibus. Saíam da hemodiálise fracos mas tinham que pegar o ônibus de volta para casa. Muitas vezes não tinham dinheiro sequer para fazer um lanche. Hoje, as prefeituras colocam ambulâncias à disposição dos doentes ou fornece vale-transporte e ajuda para refeição.
O nefrologista Henrique Gorla Neto diz que os pacientes já não saem da hemodiálise tão debilitados quanto antes. ''Quando a filtragem do sangue era feita com máquinas mecânicas corria-se o risco de retirar líquido demais do corpo, o que acarretava náuseas, tonturas e muita fraqueza. As máquinas computadorizadas fazem o trabalho com mais precisão'', explica Gorla Neto. Os doentes que fazem a hemodiálise já perderam totalmente a função dos rins e a maioria espera por um transplante, a única alternativa para voltar a ter uma vida normal. Os novos equipamentos e medicamentos disponíveis aumentaram as chances de sobrevida dos renais crônicos de 50% para 70%.


