Umuarama ataca problemas ambientais
Umuarama ataca problemas ambientais
Programas criam mecanismos mais eficientes de preservação e tentam solução para problemas de erosão e poluição de mananciais
Vânia Moreira
José Tadeu de Oliveira
Contra o relógioProblema crônico de erosão e assoreamento na nascente do Rio Piava, o único ainda em condições de fornecer água aos 80 mil moradores de Umuarama; abaixo, uma das inúmeras cachoeiras do município, que só agora estão sendo exploradas para o lazer, como a prática de rafting Assolada por problemas causados pela destruição ambiental, Umuarama corre contra o tempo para contornar os erros do passado e tentar recuperar o que sobrou. O município começa a abandonar o discurso político e partir para ações mais concretas, criando mecanismos mais eficientes de preservação e atacando problemas graves como a poluição do manancial de abastecimento da cidade, o Rio Piava.
A Prefeitura criou uma política especial de proteção ambiental que antes não existia. Foram criados o Conselho e a Secretaria Municipal do Meio Ambiente, para a qual será nomeado o ecologista Rui Martins Lisboa. Um dos primeiros resultados da nova mentalidade ecológica do município foi a criaão, em 19 de abril, da Área de Preservação Ambiental (APA) da bacia do Rio Piava, a primeira APA do município.
As consequências da devastação ambiental estão sendo desastrosas para Umuarama, principalmente em função do tipo de solo, o arenito Caiuá, altamente propenso à erosão. A falta de planejamento e cuidado com o meio ambiente resultou no desmatamento das margens de córregos urbanos, construção de moradias em barrancos, ocupação de fundos de vale e loteamentos em áreas de risco.
Vânia Moreira
Em épocas de muita chuva, como agora, a situação fica caótica. A erosão destrói casas, pontes, ruas, galerias pluviais, redes de água e luz. Na zona rural, as estradas ficam intransitáveis, a chuva lava a fertilidade do solo e assoreia ainda mais os rios. Não teríamos tanto problemas se governantes anteriores tivessem se preocupado mais com o meio ambiente, mas agora não adianta lamentar. Temos de procurar soluções para recuperar as áreas degradadas e preservar o que restou, diz o prefeito Fernando Scanavaca (PPB).
Enquanto tenta contornar os problemas já instalados, o Município volta os olhos para a preservação dos redutos ecológicos que restaram. Um dos projetos em andamento é a criação de pequenos parques de lazer em áreas de apelo ecológico e turístico. Pequenas matas com cachoeiras e corredeiras próximas à cidade que nunca despertaram atenção agora estão sendo vistas como pequenas jóias da natureza.
O secretário do Meio Ambiente, Rui Lisboa, catalogou cerca de 15 cachoeiras. Algumas delas vão virar parques ecológicos. O próximo local a virar APA municipal será um trecho do Ribeirão do Veado, nos fundos do Bairro Guarani, formado por matas ciliares e três belas cachoeiras.
Segundo Lisboa, o objetivo é preservar e, ao mesmo tempo, criar alternativas de lazer nestes locais. A secretaria do Meio Ambiente também começou a manter contato com donos de reservas para transformá-las em patrimônio natural preservado. Assumindo compromisso de preservar as matas, o município pode receber mais ICMS ecológico.
Atualmente Umuarama recebe apenas R$ 300,00 mensais pela preservaão dos bosques do Índio e Uirapuru e pela preservação nas nascentes do Rio Xambrê, manancial de abastecimento do município vizinho de Iporã. Segundo Lisboa, mais do que receber ICMS ecológico ou entrar na onda do ecoturismo, Umuarama precisa preservar o meio ambiente para resgatar e garantir qualidade de vida para seus habitantes. Para Lisboa, estava passando da hora de o município ganhar uma nova consciência ecológica. Estamos poluindo até a água que bebemos, lamenta.
As reservas de matas urbanas são um desafio à parte porque a conservação não depende apenas do poder público. Dependem principalmente dos moradores e, neste ponto, a consciência ecológica ainda não avançou muito. Espremida entre os bairros Dom Pedro 1 e Dom Pedro 2, a chamada Mata do Dom Pedro está desaparecendo lentamente. Dois alqueires foram totalmente desmatados e queimados. Os outros quatro continuam sendo poluídos pelos moradores.
O Bosque do Índio, que recebe as galerias de águas pluviais do centro da cidade, também sofre com o lixo, esgotos domésticos, produtos químicos e outros poluentes lançados nas galerias. Em ambas as reservas, a erosão também faz estragos. A enorme cratera no interior do Bosque do Índio está sendo aterrada.





