Céu azul e garganta seca. O inverno de 2006 tem castigado os paranaenses com a falta de chuva que, consequentemente, se reflete em baixas taxas de umidade relativa do ar. Tradicionalmente, a região mais atingida pelo clima seco é Norte do Estado, onde os índices de umidade este ano já caíram abaixo dos 30%, um nível considerado crítico. Nestas condições, a orientação é que as pessoas mantenham hidratadas as vias aéreas para amenizar os efeitos da seca.
O meteorologista do Sistema Meteorológico do Paraná (Simepar), Samuel Braun, indicou que às 16 horas de ontem em Londrina, a umidade relativa do ar chegou a 27,7%, só perdendo para Cambará, também no Norte, que registrou 25,8%. Esses percentuais, destacou Braun, são considerados críticos normal é o índice oscilar entre 40 e 50%. Segundo o especialista em clima, os índices na região têm se mantido nesse patamar nos últimos oito dias, quando foi registrada a última chuva no norte paranaense mas que não passou dos dois milímetros.
Braun destacou que este é um cenário normal para essa época do ano mas ressaltou que a situação pode piorar nos próximos dias, já que não há previsão de chuva para os próximos cinco dias. Por isso, o Simepar alerta que o risco para incêndios florestais é extremo não só no Norte mas em todo o Estado. A umidade relativa do ar tem relação direta com a temperatura e diminui ou aumenta seguindo a tendência inversa dos termômetros.
No homem, a baixa umidade relativa do ar afeta principalmente as vias respiratórias nariz, garganta e pulmões e faz aumentar a demanda nos postos de saúde e hospitais, principalmente por crianças e idosos. ''A falta de umidade traz uma maior dificuldade para o tratamento das infecções respiratórias, prolonga os sintomas, pode tornar as tosses crônicas e piorar crises de asma e bronquite'', enumerou o pneumologista Guilherme Pessoa Fazolo. Sem chuva, a poeira também pode contribuir para piorar a sensação de desconforto.
O médico destacou que para manter as vias aéreas bem hidratadas não basta espalhar baldes com água ou panos molhados pela casa. Aliás, apontou o médico, isso pouco contribui para amenizar os efeitos da baixa umidade. Quem pode, aconselhou Fazolo, deve utilizar os umidificadores de ambiente. ''Em caso de maior sensibilidade, é interessante fazer inalações como soro fisiológico'', completou. O pneumologista orientou as pessoas a tomar bastante líquido (água e sucos), manter os ambientes sempre arejados e manter uma dieta alimentar com pouco sal e mais vegetais, frutas e legumes.

mockup