Uma vizinhança pouco agradável
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 04 de maio de 2011
Vinícius Fonseca <br> Reportagem Local 
Delegacias abrigando presos, muitas delas enfrentando superlotação, algo comum e que revela um problema. Fugas podem tornar escolas e outras instituições, que recebem grande fluxo de pessoas, alvos fáceis de criminosos precisando se esconder de policiais.
Essa situação de risco é enfrentada por uma creche em Astorga (Norte), onde recentemente o pátio foi utilizado como ponto final de um túnel. Diretor do Centro Municipal de Educação Infantil (CMEI) João Paulo II, Marcos Roberto Cavalari conta que as fugas deixam todos apreensivos, mas felizmente só ocorreram nos períodos em que a creche estava fechada.
O centro existe desde 1981 e atende atualmente 187 crianças de quatro meses a cinco anos. E para minimizar os riscos o jeito é manter-se atento. ''Os funcionários são orientados a ficar de olho em tudo. De resto, só podemos confiar na polícia'', diz.
Na Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) de Rolândia (Norte), a situação não é diferente. A instituição atende uma média de 300 pessoas, entre crianças e adultos, além de ter 70 funcionários. Dividindo muro com toda essa gente está a carceragem feminina do distrito policial.
A presidente da instituição, Neiva Luzia Puzzi Mozer lembra que a Apae está no local há cerca de 40 anos, época em que a delegacia já ficava por perto. Ela explica que com o tempo o espaço físico da Apae se expandiu e o prédio do distrito foi ficando cada vez mais próximo.
Neiva conta que funcionários e alunos passaram por situações no mínimo constrangedoras. Eles já encontraram tijolos com celulares e drogas no pátio da instituição, além de ouvir brigas entre detentos durante o banho de sol e policiais realizando testes de balística. ''Lidamos com um público que não sabemos como reagirá em algumas situações e já fui várias vezes entregar tijolos com drogas na delegacia. Solicitei ao delegado que trocasse o horário dos testes de balística para que não assustasse os alunos'', comenta. Ela conclui dizendo que seu pedido foi atendido prontamente pelo delegado, mesmo assim acredita que a solução para o problema é tirar a delegacia de seu endereço atual.
Mãe de um aluno de oito anos, a dona de casa Terezinha de Fátima engrossa o coro quanto ao mal-estar causado pelos vizinhos. ''Ficamos todos aprensivos, mais de uma vez eles (detentos em fuga) passaram correndo por aqui e a possiblidade de entrarem no prédio me assusta.''


