Uma 'Vitória' para os pais adotivos
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quarta-feira, 25 de maio de 2005
Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
O rostinho de anjo emoldurado por cachinhos ruivos e intensos olhos azuis não deixam dúvida. Ana Vitória, de apenas três anos e oito meses, é sim uma criança mais do que especial. Não porque é portadora de paralisia cerebral, mas pela capacidade que tem de cativar a todos com seu sorriso sincero e pleno de bondade. Foi assim que ela ''adotou'' os pais Nicácio Moura, 39 anos, e Lilian Cláudia Miranda de Souza Moura, de 34 anos.
A adoção aconteceu em Florianópolis (SC) há cerca de três anos, depois do casal ter tentado uma produção própria por quase 10 anos. ''Um dia, descobri que não iríamos ter filhos e senti que teríamos um filho adotivo'', relata Cláudia. Tomada a decisão, tudo passou a conspirar para que a idéia fosse sendo amadurecida. ''Sem procurar, começamos a ter acesso a livros e reportagens sobre o assunto. Parece que Deus foi nos educando e bombardeando a gente sobre adoção'', relembra Nicácio.
Os dois ainda moravam em Maringá, mas quando Nicácio foi transferido para Florianópolis a busca por um filho adotivo foi ganhando corpo. Ao serem convidados por pessoas diferentes, em situações diferentes, para conhecerem uma casa-lar da Igreja Batista, os dois aceitaram mas combinaram que não iriam escolher nem disputar com ninguém nenhuma criança. Na casa havia 18 crianças, mas só uma estava disponível para adoção. ''Era uma criança especial, que já tinha sido oferecida para todos os casais mas nenhum deles nem chegou a visitá-la'', diz Cláudia.
O mês era maio e o inverno catarinense dava mostras de que seria rigoroso. Foi quando foram apresentados à Ana Vitória. A menininha de pele clara tinha oito meses mas ainda era um bebê por ter vindo ao mundo prematuramente de seis meses, após a mãe biológica ter tentado o aborto por três vezes. Nasceu com um quilo e 10 gramas e permaneceu 60 dias num leito de UTI. Segundo Cláudia, foi paixão à primeira vista: ''lembro que no macacãozinho dela estava escrito em inglês: este inverno será muito duro. Na hora, comecei a chorar''. Vitória foi colocada no colo da mamãe e imediatamente segurou o dedo de Nicácio quando ele se aproximou das duas. ''Dias antes tinha recebido um e-mail que dizia que quando uma criança segura o dedo de um adulto está selando um vínculo para sempre'', recorda o papai coruja. ''A partir daí, não conseguíamos ver mais nossas vidas sem a Vitória'', garante a mãe.
Mas nem tudo seria tão fácil. No dia seguinte ao encontro, com os pais já determinados a adotarem aquele anjinho, Vitória foi hospitalizada por causa de uma pneumonia. Mas até isso serviu como aprendizado ao casal. Eles que desconheciam os detalhes da doença da criança aproveitaram os 15 dias que ficaram com ela no hospital para entender como cuidar daquele bebê especial. Em 10 de junho de 2002, o casal finalmente conseguiu a guarda provisória da menina.
Passados três anos desde o primeiro encontro, ou melhor desde o nascimento de Vitória, a família vive uma vida feliz numa chácara na Zona Sul de Londrina. Nicácio e Cláudia administram o lugar que funciona como acampamento da Igreja Missionária. Ana Vitória precisa de cuidados especiais como sessões de fisioterapia e ainda enfrenta dificuldades como encontrar dentistas especializados, mas responde a tudo com o mesmo sorriso cativante que prendeu seus pais logo no primeiro encontro.


