Crescer, casar e ter filhos. Este é o caminho da vida idealizado pela grande maioria das mulheres. Mas há aquelas que cresceram, casaram e decidiram ''pular'' a etapa dos filhos. Satisfeitas com esta realidade, estas mulheres fizeram um plano de vida que não inclui herdeiros e sentem-se completas assim. A decisão causa estranhamento em muitas pessoas, mas este modelo de família tende a se tornar cada dia mais comum.
Para a professora universitária Márcia Pires Ferreira, o mais difícil é dar explicações que devem ser repetidas a cada expressão de espanto das pessoas. ''Essa coisa de todo mundo perguntar quando vou ter filhos me incomoda. Não acho que preciso seguir um padrão apenas porque todas as pessoas o fazem'', disse.
Conforme Márcia, a ideia de ter filhos nunca fez parte da sua vida. ''Acho que nunca brinquei de ser mãe quando criança'', lembra. Ela lembrou que foi começar a gostar das bonecas quando era adolescente e aprendeu a costurar roupas. ''Minhas bonecas nunca foram tratadas como filhas, mas como modelos que desfilavam as minhas coleções'', brincou.
Para a professora, que tem 40 anos e é casada há oito anos, a fase da gestação e a vida profissional atribulada a afastam da maternidade. ''Não me imagino grávida, além disso, quando a mulher tem filhos, precisa se dividir. Talvez se eu fosse mãe não teria feito mestrado e nem trabalhado em outras cidades, pontos que considero importantes para a minha vida profissional'', explicou.
Profissão
A dedicação à profissão também é o motivo apontado por Ligia Savioli para excluir a maternidade dos seus planos. Ela afirma que chegou a esta conclusão com o marido. ''Aos 32 anos, penso no meu lado profissional e sei que se tiver uma criança vou precisar dar atenção e abrir mão de uma opção que fiz para a minha vida'', justificou. Ela afirma que a violência e a situação geral em que se encontra o mundo também pesam na sua decisão. ''O que o mundo tem para oferecer e contribuir com o crescimento saudável de uma criança?''
Ela afirma que por ser uma mulher que foge à regra acaba sendo julgada, mas destaca que esta decisão não interfere na sua relação com as crianças. ''Adoro crianças. Tenho sobrinhos e me divirto muito com eles'', garantiu. Para Ligia, a maternidade deve ser levada muito a sério. ''Acredito que é necessaário ter estrutura financeira e emocional para ofecerer a um filho e hoje as famílias mudaram, as mulheres precisam ajudar na renda familiar. Não ter filhos é uma consequência disso.''
Questionada sobre para quem vai deixar o patrimônio que está construindo, Lígia afirma que tem a família grande. ''Acho que ter filhos apenas para alguém cuidar de mim na velhice é muito egoísmo. Educar alguém é uma responsabilidade muito grande para se deixar levar por estes caprichos'', destacou.
Apesar de não pensarem na maternidade atualmente, as duas entrevistadas não descartaram a possibilidade de adotar uma criança um dia. Apesar disso afirmaram que esta ainda não né a hora certa para tomar esta iniciativa.

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