Para um jovem nadador, obter cinco medalhas em uma competição já seria um feito notável, o que dizer então da história de Theresinha de Jesus Mendonça de Almeida, que começou a nadar aos 60 anos e encerrou sua carreira esportiva aos 76 anos. Durante este período ela conquistou 122 medalhas e dois troféus.
A vida dela transformou-se em livro, ''Theresinha, mãe querida: sua vida, seu mundo...''. Trata-se de uma biografia escrita pela filha, a psicóloga Carmen Garcia de Almeida, com a ajuda da própria Theresinha e de seus filhos e netos. A publicação será lançada neste fim de semana na residência de Carmen, no Jardim Andrade, em uma tiragem limitada de 200 exemplares.
''A ideia de escrever o livro surgiu há dois anos, e estava sendo escrita por mim e por ela, mas logo em seguida minha mãe teve um acidente vascular cerebral (AVC) e permaneceu hospitalizada durante três meses, dois deles em estado de coma'', relatou.
Como atleta, Theresinha percorreu o País de Norte a Sul participando de competições. Certa vez conquistou cinco medalhas em uma só competição. Fora da vida esportiva, Theresinha viajou para quatro países e seu desejo de viver inspiram os amigos e parentes que a conheceram. Hoje ela está com 86 anos.
A ex-nadadora se recuperou parcialmente, mas o AVC combinado com o mal de Alzheimer deixaram sequelas, com a mobilidade e a fala reduzidas. Segundo Carmem, ela continua entendendo tudo o que se passa a sua volta. O projeto do livro foi retomado, com a família se comunicando por sinais que ela fazia movimentando a cabeça e com textos escritos pela própria Theresinha.
''Nós encontramos um diário que ela escreveu há 56 anos, quando iniciava sua carreira no Magistério, e também o arquivo de uma palestra que ela ministrou já quando integrava um grupo de terceira idade, relatando sua experiência com a natação'', explicou Carmen. Esses materiais acabaram servindo de base para a elaboração do livro.
Carmen relembrou que antes de começar a nadar, Theresinha não era uma esportista. Ela veio de Bauru (SP) e começou a nadar por recomendação médica depois de ter sido submetida a uma cirurgia no joelho por desgaste da articulação. O esporte logo se tornou uma paixão e Theresinha passou a frequentar a escola de natação Nado Livre e posteriormente integrou a equipe master da Associação Cultural e Esportiva de Londrina (Acel).
Segundo a sua neta Renata Garcia de Almeida Moraes, de 26 anos, os benefícios da natação vieram a curto prazo, com o ganho de energia e também por conseguir fazer muitos amigos. ''A longo prazo a natação também foi importante, pois a atividade que ela fez naquele período a fez ganhar uma capacidade respiratória que está permitindo uma certa qualidade de vida mesmo acamada, sem precisar tomar medicamentos'', ressaltou a neta.
Além da carreira de esportista e no Magistério, recentemente a família encontrou poesias escritas por ela. ''Sua história é uma lição de vida. Ela é amorosa e tudo o que ela queria conseguia realizar. São coisas nas quais a gente se espelha e nos motiva a seguir em frente. Mesmo na atual condição, dificilmente fica chateada'', revelou Carmen.

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