Uma vida de obediência e disciplina
As monjas enclausuradas rezam o dia inteiro, sem exageros. A primeira oração do dia das beneditinas é às 4h30, quando acordam. Às 5h30, hora do café da manhã. Das 6h30 às 9h30, orações. Até as 10h30, trabalhos internos, que podem ser de tarefas ligadas à rotina do mosteiro à produção de peças artesanais - as beneditinas mantêm uma loja na entrada do mosteiro com objetos, comidinhas e licores feitos por elas.
Às 11h30, a volta para as orações. Meio-dia, almoço. E, depois, descanso até as 14. Até as 15, hora de estudar. As irmãs fazem cursos de artesanato e idiomas (para facilitar a compreensão e a pronúncia das orações). Podem ir ao médico (mas recebem a visita domiciliar semanal de um médico). Podem visitar pais e irmãos (só em casos de doenças graves e cirurgias delicadas e com expressa autorização).
Depois do Concílio Vaticano II, de 1965, as regras da Igreja ficaram um pouco mais frouxas. No caso delas, não era possível ir ao médico fora de casa. ''Sou do tempo em que se fazia cirurgias dentro do mosteiro'', conta irmã Lídia. As freiras agora podem ter a permissão da abadessa (monja superiora) para deixar a casa apenas quando a saída é em benefício do convento.
Na prática, nem sempre funciona assim. A responsável pela administração financeira do mosteiro, irmã Escolástica Otoni de Matos, 38 anos de idade e 20 de clausura, pediu há algumas semanas permissão para fazer um curso de cinco dias de administração de empresas. A solicitação foi negada pela abadessa Maria Tereza de Amoroso Lima, de 76 anos, filha do intelectual católico Alceu de Amoroso Lima (morto em 1983), há 57 anos reclusa.
''Foi uma pena'', conta Escolástica. E só. Ela nem perguntou o motivo. ''Na obediência você encontra Deus'', diz. ''O silêncio ajuda a compreender o incompreensível.'' Curiosamente, aquilo de que Escolástica mais sente falta dos tempos em que era leiga é de gargalhar.





