Rolândia O garoto Gustavo Shoiti Shiomi, 10 anos, só tinha sentido o cheiro de alho na cozinha de casa. Nunca imaginou que o produto que sua mãe usa quase todo dia para fazer o almoço vinha de uma árvore. ''Aqui é tudo muito diferente, a gente aprende e vê coisas que não está acostumado a ver na cidade'', confessou.
Shiomi fala de uma experiência que vai lembrar para o resto da vida. Ontem, junto com mais 36 colegas da 5 série do ensino fundamental do Colégio Maxi, de Londrina, ele teve a oportunidade de conhecer várias espécies de plantas usando suas habilidades sensoriais. De olhos fechados, a turma sentiu com a ponta dos dedos a textura de uma árvore ornamental originária do serrado brasileiro. Mesmo com receio, provaram pela primeira vez o gosto de uma fruta pouco conhecida pelas novas gerações, a uva japonesa.
Tudo aconteceu a cerca de nove quilômetros do Centro de Rolândia (25 km a oeste de Londrina), na Fazenda Bimini. O local possui uma reserva com 262 espécies de plantas de uso ornamental, medicinal, culinário, industrial e perfumaria, e serve ainda de sala de aula prática para alunos de educação ambiental. O projeto de levar conhecimento através dos sentidos surgiu em 97, por iniciativa do ecologista e instrutor Daniel Steidle, proprietário da fazenda. ''A memorização do conhecimento quando se visualiza alguma coisa é mais fácil do que dentro de uma sala de aula. Essa forma lúdica de ensinar, mostrando as imagens das coisas, só traz benefícios para a vida das crianças'', argumentou Steidle.
Para a turma, a brincadeira se tornou uma visita pelo interior de uma floresta sensorial. A maioria dessas crianças, acostumada com o cotidiano da vida urbana, se espantou ao perceber a capacidade de percepção dos sentidos do corpo. Na experiência com uma paineira, árvore de espinhos perigosos, a sensibilidade de toque foi necessária para evitar um machucado. ''Exercitamos nesse caso o tato das crianças. Foi possível sentir a ponta dos espinhos sem se ferir'', afirmou o instrutor.
Maria Paula Gianelli Morini, 11, teve medo das formigas ao avançar na mata. Aos poucos, no entanto, esse medo foi dando lugar ao entusiasmo. ''Aprendi muitas coisas legais, a usar melhor os meus sentidos. O professor disse que a gente não pode sempre experimentar tudo que vê, porque pode ser venenoso'', alertou.
Já no final do circuito, a turma se surpreendeu com um imenso casulo de formigas preso nos galhos de um cedro centenário. Foi mais uma oportunidade de usar as habilidade sensoriais, desta vez a audição. O silêncio era a única exigência do exercício. Com um cabo de enxada, Steidle cutucou a moradia das formigas e aguardou um barulho como resposta. O ruído se assemelha a uma revoada de pássaros, em reduzidas proporções. ''Como mecanismo de defesa, elas batem a bunda contra o casulo, tentando espantar o invasor. Todas param e executam o mesmo movimento. É um grande exemplo de união'', disse o instrutor. As crianças, de queixo caído com a novidade, só pensavam em repetir a brincadeira.

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