Cornélio Procópio A diversidade da fauna brasileira encanta a comunidade científica mundial. A riqueza de espécimes, a complexidade da vida animal, a interatividade entre os ecossistemas, pesquisadores passam a vida desvendando os mistérios da zoologia. Em Cornélio Procópio, o Museu de História Natural oferece a oportunidade de conferir de perto um fragmento incalculável deste patrimônio da terra. É um convite a viajar por cinco diferentes ecossistemas: Pantanal, Cerrado, Mata Atlântica, Amazônia e Exóticos (animais de outros continentes).
Aberto à população desde setembro de 2002, o museu existe há mais de 20 anos servindo como campo de pesquisa científica da Faculdade Estadual de Filosofia, Ciências e Letras de Cornélio Procópio (FEFI). Possui um acervo de seis mil peças zoológicas, sendo mais de quatro mil de animais empalhados. ''É uma das maiores coleções do País, no museu estão expostos apenas 8% da reserva técnica que temos na faculdade'', informou professor João Galdino, 65 anos, o diretor e proprietário do acervo disponibilizado na instituição.
O museu acolhe uma série de animais raros, entre eles a curica-urubu, uma ave exclusiva da selva amazônica, e o ouriço-africano, único animal da espécie empalhado no País. O que mais chama atenção, porém, causando espanto principalmente nas crianças, são os aminais de grande porte. E ninguém bate a Amazônia quando o quesito refere-se a predadores. Além de uma sucuri de seis metros (elas estão no topo da cadeia alimentar e podem chegar a 12 metros), o museu apresenta ainda um incrível jacaré-açú de quase cinco metros, também conhecido na floresta amazônica como caimã.
Outro animal que desperta curiosidade é o Urso-Marrom, originário das montanhas canadenses, que vivo pesaria mais de 350 quilos. ''Nossa preocupação vai além de falar do animal de forma superficial. Procuramos contextualizar, explicar por exemplo que o Pantanal possui uma área de 700 km de extensão, que a vegetação passa por períodos de alagamento, as diferenças de comportamento e a alimentação dos animais que vivem em determinadas áreas'', ponderou o professor.
Mestre na arte da taxidermia (ver texto nesta página), técnica que domina há 46 anos, Galdino transborda satisfação quando fala da interatividade que seu museu mantém com o visitante. Para deixá-lo ainda mais ambientado, o local possui um sistema que reproduz sons originais de pássaros e outros animais. ''Isso aqui realmente é uma viagem. O museu não é estático, muito pelo contrário, é dinâmico. Diferente de um museu histórico, as coisas por aqui têm vida. Sem esta interação, além do som ambiente, o local seria muito parecido com um velório'', comparou.
E como a coleção supera a casa dos milhares, fica impossível viabilizar a exposição de todas as peças. Na reserva técnica da instituição, onde o professor manipula o trabalho de taxidermia, localizam-se grande maioria delas. Para resolver o problema, a diretoria decidiu planejar um revezamento entre os animais empalhados. ''A troca dependerá principalmente do volume de visitantes''.
Em pouco mais de um ano e meio de atividades, o museu recebeu, segundo o professor, cerca de 150 mil visitantes (três vezes a população da cidade), grande parte alunos de 25 cidades da microregião de Cornélio Procópio. Um folder, contendo informações e orientações básicas, foi distribuído para as escolas da região como estratégia de divulgação.
E existe preço para um acervo tão diversificado e raro? Segundo o professor, que afirma nunca ter vendido uma unidade sequer desde que aprendeu o ofício, é impossível calcular o valor da coleção. Mas deixa alguns parâmetros. Para taxidermizar (empalhar) um papagaio, por exemplo, desde que o cliente traga o animal, o preço de tabela é de US$ 100 (pouco mais de R$ 300). O preço sai bem mais salgado pelo serviço em uma onça-pintada de pequeno porte: US$ 1,5 mil.
O acervo é composto por animais que tiveram morte natural em zoológicos e criadouros, ou fruto de apreensões do Ibama e do IAP. Quando alguma espécime torna-se vítima de caça ou pesca predatória também pode ser aproveitada. ''Não tem zoológico que irá se interessar, por exemplo, por um urso morto. Então, isso aqui é um lixão amigo, a gente aproveita os animais que serão jogados fora''.


ERVIÇO - Museu de História Natural ''Mozart de Oliveira Vallim'', antiga Estação Ferroviária de Cornélio Procópio. Aberto de terça-feira a domingo em horários diferenciados. De terça a quinta, das 9 às 12 horas e das 14 às 17 horas. Sexta das 9 às 12 horas e das 19 às 22 horas. Sábado e domingo das 14 às 17 horas. A entrada é gratuita. Excursões com agendamento prévio. Outras informações pelo telefone: (43) 524:5972.

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