Ceasa, 13 horas. Os boxes estão começando a abrir; nos restaurantes e lanchonetes, gente que almoça e gente que se refresca com uma tubaína gelada. Na sombra, tem espaço para um truco e para uma soneca de carregadores e produtores que chegaram cedo. Todo mundo anda devagar, como que para guardar forças para o que está por vir. Em duas horas, esse quadro tranquilo muda radicalmente. O burburinho vira um turbilhão colorido pelas caixas de tomates, uvas, cebolas, abóboras e o que mais o freguês quiser. Colorido e barulhento pelas vozes das quase seis mil pessoas que passam pela unidade de Londrina nos dias de maior movimento.
O coração desse universo de 242 mil metros quadrados é a Pedra, é assim que todos chamam o espaço de venda exclusivo dos produtores. É lá, nos barracões de teto alto, que os agricultores - em tese da região norte do Paraná, mas tem gente até do centro-oeste - estacionam seus caminhões, cada qual tem sua vaga certa. Eles são os primeiros a chegar. Apesar da comercialização só começar às 16 horas, é preciso tempo para descarregar as caixas e arrumar a mercadoria.
Kadio Kobayasi, 72 anos, chegou cedo, por volta das 12h30. Enquanto não chega a hora de vender as 80 caixas de tomates, pepinos e repolhos que troxe de seu sítio em Tamarana, o agricultor descansa em um espaço improvisado em cima da carroceria do caminhão. Com um lugar na pedra desde a inaguração do Ceasa, em 1983, o agricultor lembra de um tempo que havia um único barracão na pedra. Hoje são quatro. ''Aquele tempo só tinha uns 50 (produtores) hoje tem uns 500% a mais'', diz, sem exagero. Como atualmente há 310 produtores, o aumento, na verdade, foi de mais de 600%.
O Ceasa foi criado para ser um entreposto comercial de verduras, frutas e outros produtos. O objetivo principal da unidade é promover o acesso dos compradores ao produtores, facilitando a escoamento da produção. Mensalmente, segundo estimativa da gerência da unidade, passam pelo ceasa de 15 a 17 mil toneladas de produtos.
Há 50 anos na lavoura, seu Kobayasi diz que o Ceasa mudou o sistema de comercialização dos produtos, antes por conta de cada produtor. ''Eu entregava em quitanda, em mercadinho'', relembra. O Ceasa mudou também, segundo a opinião dele, todo o mercado produtivo. Do sucesso da unidade, aumentou a concorrência. ''Até 1990 era bom de vender, agora tem gente demais plantando'', acredita.
No campo ou no Ceasa, a rotina é puxada. ''Em casa a gente deve chegar às 21 horas'', diz o agricultor Edemilson Rodrigues Rocha, 33 anos e há 12 comercializando os produtos na unidade. ''Mesmo depois que acaba a venda a gente tem que recolher caixas, receber etc'', comenta. No dia seguinte, a rotina continua, dessa vez para colher os produtos que vão para o Ceasa na próxima feira. A maioria dos produtores vai para o Ceasa às segundas, quartas é sextas-feiras.
É por conta dessa rotina que a unidade mudou o sistema de comercialização dos produtores, antes concentrada nas madrugadas. Hoje, nesses horários, também há descarregamentos e comercialização, só que às terças e quintas e em menor volume. ''Antes era difícil, a gente tinha que sair de casa à noite, chegava aqui, vendia tudo e quando voltava para casa almoçava e tinha que voltar para roça'', comenta o produtor.

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