Uma transformação sem palavras
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quarta-feira, 18 de agosto de 2010
Silvana Leão<BR> Reportagem Local 
A frase que estampa o cartaz afixado no painel do grande salão resume a filosofia reinante - ''As mãos que tocam instrumentos não seguram armas''. Desde sua criação, em 2003, a Associação Solidariedade Sempre (ASS), de Londrina, trabalha para que jovens de comunidades carentes tenham a chance de conhecer o caminho oposto ao da violência. Um caminho que, atualmente, tem sido trilhado principalmente por meio da música.
A ideia central do projeto, sediado em imóvel localizado na esquina das ruas Ouro Preto com Rio Grande do Norte (Centro), é transformar os jovens em multiplicadores de uma nova forma de viver, baseada em valores como solidariedade, ética e crença no valor de cada um. São 60 adolescentes, de 11 a 16 anos, que tornam-se agentes de mudança dentro de suas famílias e de sua comunidade. ''É uma semente que estamos plantando'', define o coordenador musical da associação, João Miguel Aiub.
No contraturno escolar, além de se familiarizarem com os acordes musicais, jovens de diversas regiões da cidade fazem oficinas de interpretação de texto, de cálculo mental, xadrez, informática, inglês, ética e dinâmica de grupo. No início, sete anos atrás, o objetivo da iniciativa era ser uma espécie de reforço escolar, com base no lema ''Aprender, saber para viver''. Em 2008, porém, a música conquistou de vez diretores e alunos. A Lei Rouanet permitiu a captação de mais recursos, e os espaços foram ocupados também por violinos, viola, violoncelo, flauta transversal, clarinete, trompete, trombone, saxofone, bateria, teclado, contrabaixo e guitarra.
Os talentos descobertos tornaram possível a formação de uma orquestra de câmara, no final do ano passado, com participação de 19 adolescentes. São alunos que, em sua maioria, passaram por vários instrumentos até encontrar aquele que mais se identificam. A primeira apresentação aconteceu na semana passada, no Teatro Marista, baseada na obra La Cumparsita, de Carlos Gardel. ''Nosso objetivo agora é ampliar o projeto da orquestra, transformando-a em opção de trabalho profissional para estes jovens, com apresentações inclusive fora de Londrina'', explica Aiub.
O professor ressalta que ao aprender a tocar um instrumento musical, o jovem descobre potencialidades que não conhecia, e com isso consegue resolver, inclusive, questões ligadas à agressividade. ''A música exige muita disciplina, ensina a resolver conflitos, a trabalhar em equipe, enfim, desenvolve também habilidades sociais. Ela é capaz de promover uma transformação sem palavras'', define.


