A terça-feira de Carnaval não é feriado. É verdade, pode acreditar. Está na legislação trabalhista. Em outras palavras, todo mundo devia ter ido para a labuta ontem. Porém, no Brasil, o Carnaval já virou instituição nacional e o feriado é um decreto do povo. Só trabalham os serviços essenciais e ponto final. Ainda mais por que o dia seguinte é a Quarta-Feira de Cinzas, na qual muita gente só inicia o expediente ao meio-dia.
As noites carnavalescas são de agito, de gente pulando no salão e requebrando no Autódromo. Amigo, manda mais uma cerveja, por favor!
Porém, do que são as tardes carnavalescas? Em outros tempos (e não faz tanto tempo assim), eram de matinês. Todos os clubes colocavam uma banda para tocar e enchiam os salões. Confete para o alto e alegria no coração. Mamãe eu quero, mamãe eu quero, mamãe eu quero mamaaaarrr...
As matinês se foram. Os salões, hoje em dia, ficam vazios em uma terça carnavalesca, assim como o Calçadão, que em outras terças é cheio de gente vendendo, comprando, passeando, prendendo e pregando. Por incrível que pareça, ontem o Calçadão era um lugar de paz. Tinha londrinense descansando, namorando, conversando, pensando.
No Zerão, o que mais se via eram famílias. Elas foram aos montes. No Lago Igapó, os pescadores de todos os dias dividiram o espaço com gente que foi pela primeira vez. A dona-de-casa Nilda Brunetti não pescava há 20 anos. Na terça carnavalesca estava adorando fisgar peixes dos quais nem sabe o nome. Ela foi com a família. Estava feliz da vida. A filha de dona Nilda, a estudante Bruna Munique, nunca tinha pescado no Igapó. Gostou da experiência.
Próximo à barragem, o agito era um pouco maior. Um carro tocava músicas sertanejas; nada de marchinhas nem Axé. Também tinha gente nadando, batendo papo, churrasqueando. Churrasqueando? Sim, o motorista Marcos do Amaral, que veio de Sorocaba (SP) visitar parentes, foi equipado para a beira do lago. Levou 100 espetinhos, carvão, churrasqueira e fez a fumaça subir. O único problema era explicar para o pessoal que ele não estava vendendo os petiscos. Cansou de ouvir: ''Quanto está o espetinho?''
Na Avenida Higienópolis, agitada que só ela em dias normais, quase não se via automóveis. No chão, uma garrafa de cerveja vazia e abandonada denunciava a farra do dia anterior. Mas, para quebrar a monotomia total do lugar, quatro rapazes faziam manobras inusitadas nos corrimões de uma agência bancária. Trata-se de um grupo chamado ''Gardenall'', que pratica o Le Parkour, um tipo de esporte inventado na França que tem como filosofia passar de um lugar para o outro da maneira mais rápida possível. Altos pulos. Viva a terça de carnaval!

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