Uma síndrome que atinge crianças
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sexta-feira, 29 de abril de 2011
Érika Gonçalves <br> Reportagem Local 
Pais e mães, em teoria, têm como uma de suas funções proteger os filhos. Infelizmente, figuram entre os primeiros na lista de violência e abuso contra crianças e adolescentes. Um dos tipos de violência, no entanto, ainda é desconhecida por grande parte da população e até de alguns profissionais de saúde. É a Síndrome de Munchausen por procuração, quando a mãe, na maior parte dos casos, provoca sintomas e doenças no filho.
O pediatra e coordenador da Rede de Proteção às Crianças e Adolescentes em Situação de Violência, Renato Moriya, afirma que a síndrome tem dois tipos. ''Temos os casos 'by self' quando a pessoa simula a doença nela mesmo, e 'by proxy' ou por procuração, quando um adulto simula ou produz doença no próprio filho, para obter alguma vantagem. É algo compulsivo, um grave distúrbio de personalidade'', atesta.
Segundo ele, talvez os casos sejam mais comuns do que se imagina, mas por seu relato ser recente - o primeiro data de 1977 - ainda existem poucos dados e muitas vezes as pessoas nem percebem. ''Normalmente está relacionado a algum ganho pessoal no sentido de ser valorizada no hospital como cuidadora, como protetora do filho'', relata.
O pediatra explica que o corpo médico está preparado para ouvir e acreditar no que o paciente diz e nos sintomas que apresenta, por isso demora a perceber o que está acontecendo. Ele conta nunca ter se deparado com um caso, mas já ouviu relatos. ''Essa violência normalmente acontece com crianças de até cinco anos. Com o tempo ela acaba participando dessa simulação, porque gosta da mãe. É uma situação bem complicada. Ela acaba tendo uma percepção errada do que é saúde e doença e acha que só vai ser valorizada quando ficar doente.''
Segundo Moriya, muitas mães agressoras trabalharam em hospital ou ficaram internadas e sabem como funciona a dinâmica, algumas até fraudam prontuários. ''Existem vários níveis, desde simular situações ou sufocar e asfixiar a criança ou exagerar nos sintomas.''
Mesmo tendo consciência de que podem matar os filhos, elas não conseguem parar e podem repetir a violência contra outros filhos. Segundo o médico, há relatos de crianças que tiveram danos permanentes e outras que sofreram a violência e passaram a repetir nos filhos posteriormente.
Como estas pessoas são habilidosas e percebem quem é mais fácil de ser enganado, equipes médicas e familiares podem demorar para perceber o que acontece. ''É uma mãe que, ao contrário das outras violências, não é agressiva e se mostra muito amigável, solícita e atenta com os cuidados que se fazem com o filho. Quando se percebe que isso está acontecendo, uma das propostas é que se retire a criança do ambiente da mãe. Hoje temos o alojamento conjunto, muitas vezes não conseguimos tirar a mãe. A família toda precisa ser tratada, avisada e monitorizada'' finaliza.


