Uma rua tão antiga quanto a cidade
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quarta-feira, 07 de maio de 2008
Betânia Rodrigues<br>Reportagem Local 
As casas de madeira envelhecida denunciam a idade avançada da pequena Rua Tupiniquins, na Vila Casoni, Centro de Londrina. As seis quadras amadureceram tranquilamente desde os primórdios da cidade, que em 2008 completa 74 anos. Eleita basicamente para moradia, hoje, a rua é via de mão dupla, onde transita, inclusive, a insegurança.
O aposentado José Sitta, 77 anos, vive com a esposa e a filha na Caraíbas (tradicional rua do comércio no bairro) e mantém um ferro-velho na Tupiniquins. Lembra que ao chegar ali, em 1949, já havia casas velhas, separadas por balaústres. ''A maioria dos vizinhos se foi. Os herdeiros conservaram a propriedade, mas fizeram algumas adaptações. Também quero mudar. Vou fechar este ferro-velho e construir um barracão de aluguel para carros usados'', planeja o ex-caminhoneiro. Na opinião dele, seu negócio destoará do futuro restaurante que, em breve, abrirá as portas na esquina das ruas Tupiniquins e Jorge Casoni.
Ali, os moradores têm padarias, açougues, farmácias, escolas e bancos. Aos poucos, a alvenaria invadiu os terrenos, que também sustentam mangueiras e singelas roseiras. Foi essa mistura que incentivou Patrocínio de Oliveira, 87 anos, a manter - praticamente - o mesmo endereço ao trocar de casa. A atual residência fica exatamente em frente à antiga, que ganhou um barracão onde conserta-se motocicletas. ''Na verdade, eu melhorei esta rua'', brinca o ex-ferroviário, que reclama apenas da manutenção das calçadas.
As brincadeiras de criança no asfalto desapareceram com o tempo. Agora, os carros tomam conta do espaço. A encarregada de produção Fátima Cavalcanti, 42 anos, lembra que sua adolescência naquele bairro foi diferente. ''Outro dia, meu filho foi assaltado à mão armada quando abria o portão de casa. Apesar da correria, poderia trocar umas palavras com alguém enquanto varro ou lavo a calçada, mas é difícil encontrar um vizinho. Quem não trabalha fora é idoso e não sai de casa'', relata a mulher, que vive quase na esquina da Tupiniquins com a Tinguis, cruzamento dos corredores Centro-bairro e bairro-Centro.


