No Jardim Santo Antônio, na Zona Oeste, se esconde uma das ruas mais tranquilas de Londrina. A via tem apenas um quarteirão, que abriga duas dezenas de casas, todas muito semelhantes, já que o bairro foi originado de um antigo conjunto habitacional criado na metade do século passado. Apenas um escritório de arquitetura destoa da paisagem familiar, onde até um pequeno salão de beleza funciona num quartinho de uma das casas.
Para chegar lá, é preciso enfrentar um pequeno labirinto, pois de tão pequena e quieta, a rua parece ser fruto de uma mente criativa. Talvez por isso tenha sido batizada de Manoel Bandeira. Coincidência ou não, os moradores estão cercados por escritores imaginativos: a via começa na Rua Cecília Meireles e termina na Rua Érico Veríssimo.
A família da gerente de loja Neide Fávaro de Carvalho, 42 anos, mora no bairro há mais de 30 anos. ''Aqui estamos perto de tudo: dos mercados, do Mercadão Shangri-lá. Dá até para ir para o Centro a pé'', disse Neide, que vive na Rua Manoel Bandeira há nove anos. Segundo ela, os vizinhos ''não são tão amigos'' assim uns dos outros. ''É cada um na sua'', definiu a gerente, que sempre tem que ensinar aos taxistas como chegar no local. ''É um quebra-cabeça porque a rua é sem saída e bem escondida.'' Apesar de adorar a tranquilidade, Neide pretende se mudar para um apartamento em breve.
A dona de casa Célia Silva, 45, mora há apenas três meses em Londrina. Ela veio ajudar uma irmã que está doente e gostou tanto da Rua Manoel Bandeira que pensa até em se mudar de vez para a cidade. ''É uma rua gostosa de morar, muito calminha, e tem de tudo perto'', declarou.
A irmã de Célia, Maria Lúcia Pereira Samartano, 53, vive no bairro há 15 anos e considera a tranquilidade a principal virtude da rua. ''O único problema é a sujeira. Em dia de chuva cai muita folha das árvores e é preciso varrer para não entupir os bueiros'', completou Célia.
Aos 61 anos, dona Neide mudou-se para a Manoel Bandeira há apenas sete meses e está adorando. Nascida em Cambé, ela vive em Londrina há 14 anos e sempre morou no Calçadão da Avenida Paraná, onde ''tinha muito barulho e poluição''. ''Aqui é ótimo, muito mais calmo. E estou perto de tudo, do mercado, da igreja. Continuo no Centro, mas é como se vivesse numa vila'', comparou a moradora.

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