O fim da picada é - hoje - um atalho habitado por famílias que valorizam a proximidade ao Centro de Londrina. Trata-se da Rua Meyer, pequena via residencial, do Jardim Ipanema (Zona Sul de Londrina), paralela à Avenida Higienópolis e Rua Paranaguá. No traçado urbano, ela parece um cabo de guarda-chuva gigante, que perdeu a tranquilidade desde que vários condomínios surgiram na Gleba Palhano e atrás do Shopping Catuaí.
Segundo o aposentado Citoei Ogata, 72 anos, os motoristas que trafegam pela Avenida Madre Leônia Milito utilizam a Rua Meyer para fugir do trânsito no Jardim Alto da Guanabará e ganhar tempo. Entre o cruzamento com a Rua Aminthas de Barros e a Avenida Higienópolis são apenas três quarteirões, ocupados por residências novas de alvenaria e remanescentes de madeira dos anos 70.
Na memória do contabilista João, de 71 anos, aquele pedaço era pasto e bambuzal, em sítios que foram - progressivamente - loteados, em sintonia com o desenvolvimento de Londrina. ''Quando era moleque, eu e meus colegas passávamos aqui para brincar numa cachoeira da Aviação Velha. O último ponto de ônibus ficava, mais ou menos, onde hoje é o começo da rua. Por isso, todos conheciam esta região como o fim da picada'', lembra.
Para o empresário Cirilo Massaneiro, 37 anos, nascido e criado na redondeza, conhecer os vizinhos e comerciantes é mais garantido que contratar uma empresa de segurança motorizada. ''Querendo ou não, a gente sempre presta atenção quando ouve barulho ou vê estranhos circulando na rua. Desta forma, é mais fácil evitar os roubos porque os ladrões não esperam essa vigilância'', explicou o morador, que há três anos instalou-se na Rua Meyer com sua família.

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