Poucos visitantes, mas muito trabalho. Ontem à tarde, o ambiente no Parque Ney Braga era esse: enquanto esperavam pelo movimento da noite, e tentavam espantar o tempo carregado da frente fria, o batalhão de profissionais presentes à 43 Exposição Agropecuária e Industrial de Londrina seguia em frente com o seu serviço. Com bom humor e otimismo. Mesmo a chuva tem seu lado bom. Afinal, como alguns lembraram, a água que caiu vai servir para dar mais tranquilidade ao produtor de milho. E pouco alterou a expecativa de grande público para o fim de semana.
Se os pagantes eram poucos ontem à tarde, os operários da exposição fervilhavam. Tinha gente em tudo quanto era lugar, acertando detalhes finais de iluminação, vedação, armação. Havia também gente querendo entrar no parque para ganhar um troquinho. Lá pelas 15 horas, uma fila de engraxates formou-se defronte ao portão do Ney Braga. A intenção era entrar para dar um trato nas milhares de botas que circulam pela exposição. ''Não deu muito até agora não, acho que o pessoal suja demais as botas por aqui'', disse o pequeno trabalhador Adriano Marcos da Silva, 12 anos.
João Rodrigues, 34, demonstrava que tem bom fôlego na tarefa de encher bonecos infláveis com o sopro. Ele veio do litoral paulista para trabalhar na feira. ''Nós temos máquina para encher todos os bonecos, eu só estou dando uma 'calibrada', para deixá-los mais cheios e bonitos'', explicou, esperançoso quanto ao faturamento do fim de semana. Os produtos estão bem localizados, no portão de entrada.
Uma tarefa sem fim era a de embelezar o gado. Os exemplares de Limousin que iam para a arena de leilões passavam por escova e fixador antes do desfile pela passarela. Deixar o gado brilhando e cheiroso não é tarefa fácil, mas o grupo de ''coiffeurs'' de Guaratinguetá (SP) não demonstrava cansaço. ''É um fixador importado, muito bom'', garantiu Emerson Toledo, 19, um dos tratadores.
Quem quer comer alguma iguaria tem pizza, carne, camarão e até acarajé à disposição. Mas o boi não quer saber disso não. Em um confortável curral, nelores de cor branca esbaldavam-se com uma mistura de feno triturado e ração. O ''cozinheiro'' era o peão Fabiano Alex, 19, também ''segurança'' e ''guia'' do rebanho, que veio de Valença (RJ). ''O gado não se acanha, come até na mão'', lembrou antes de provar na prática a afirmação.

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