Nova América da Colina - Estudantes dividindo salas, quadras, laboratório, sala de vídeo. Até aí, nada de anormal. Só que em Nova América da Colina (32 km ao sul de Cornélio Procópio), alunos do ensino fundamental compartilham seu espaço com os adolescentes do ensino médio e sobram reclamações. Da falta de autonomia para usar os recursos pedagógicos até o espaço reduzido para abrigar as crianças, o dia-a-dia escolar é uma luta para a diretoria e professores da Escola Municipal Francisco Escorsin.
Reflexo das dificuldades enfrentadas pela escola, a última avaliação de ensino, realizada em abril de 2005 pelo Ministério da Educação (MEC) com alunos de quarta série, resultou na nota 1,7, bastante inferior à média recomendada pelo governo, que é 6. A nota está entre as dez piores do Brasil.
Em defesa, a secretária da Educação de Nova América, Guiomar Nunes Araújo Siqueira, explicou que os problemas são decorrentes da administração anterior. Descontentes com o atraso nos salários e com a falta de material pedagógico, professores abandonavam ocasionalmente as salas de aula para atingir o antigo prefeito. Só que o prejuízo sobrou para os alunos.
Conforme Guiomar, outro fator determinante é que a maioria dos professores da cidade não possui curso superior. Dos 32 docentes do ensino fundamental, 13 só possuem diploma de magistério. Um convênio entre a Prefeitura e a Universidade Norte do Paraná (Unopar) pretende mudar esse quadro. ''Todo mundo será formado em pedagogia'', afirmou a secretária.
Mas o trabalho para a melhora do ensino na cidade não pára por ai. Segundo Guiomar, a Prefeitura já comprou um terreno onde será construída a escola municipal, que hoje funciona no prédio do Colégio Estadual Papa Paulo VI. ''Falta apenas o recurso para a obra em si, mas acredito que até o final da administração atual a escola já esteja pronta.''
A secretária ressaltou ainda a implantação de programas federais na cidade, no início da nova administração, como o Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (Peti) e o FIA, um fundo de assistência social que promove, entre outras atividades, o artesanato e o esporte entre as crianças.
Conforme Guiomar, há dois anos, quase 50% dos alunos não frequentavam a escola durante três meses todo ano e acabavam perdendo o ano. Isso porque a maioria das famílias é de baixa renda e precisa buscar serviço fora da cidade na entressafra. ''Normalmente os pais vão colher café em São Paulo e Minas Gerais e levam os filhos junto'', disse a secretária.
Ainda segundo ela, por falta de transporte (as fazendas de café ficam longe da cidade), as crianças acabavam ficando sem estudar. ''Hoje, com o Peti e o FIA e também com o Bolsa Escola, as famílias preferem ficar em Nova América e as crianças não faltam mais às aulas.''
Guiomar contou que o município recebeu uma notificação do MEC para uma nova avaliação dos alunos da quarta série, em novembro. ''Tirar nota baixa é bom, ajuda a crescer. Mas certamente teremos êxito na nova avaliação. Esperamos obter pelo menos nota 3 porque para chegar ao 6 teríamos que ser impecáveis'', argumentou a secretária, que é pedagoga de formação.

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