Uma referência nos ares
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quinta-feira, 15 de outubro de 2015
Antoniele Luciano<br>Reportagem Local 
Perto de completar 75 anos de criação, o Aeroclube de Londrina recebe hoje a Medalha Ouro Verde da Câmara Municipal. A honraria, proposta pelo vereador José Roque Neto (PR), visa reconhecer os trabalhos prestados pelo centro de aviação na formação de pilotos, instrutores de voo, comissários de bordo e mecânicos de manutenção de aviões. Desde que a instituição começou as atividades, na década de 1940, cerca de 7 mil profissionais foram formados.
Esta tradição no setor fez com que o Aeroclube se tornasse referência nacional em formação profissional. "Recebemos alunos de todas as partes do Brasil e, inclusive, do exterior, de países como Portugal e do continente africano", comenta a gerente administrativa da instituição, Gisele Foz Monteiro.
Quem vem de fora tem à disposição um alojamento com 20 vagas para morar em Londrina. Atualmente, aproximadamente 130 alunos estão cursando capacitações teóricas ou práticas na instituição. No ano passado, foram 200 profissionais formados. "O que os atrai é justamente o fato de Londrina ser referência, de oferecer ensino de qualidade, profissionais renomados e segurança nos voos", completa Gisele.
Comissária de bordo de uma companhia aérea baseada em Campinas, a recifense Andreza Belo Otero, de 26 anos, decidiu fazer o curso de piloto privado no Aeroclube de Londrina depois de ouvir boas avaliações sobre a escola. O marido dela, o piloto comercial Ricardo Otero, de 32, estudou em Londrina e reforçou a indicação. "Pesquisei outras escolas e Londrina foi a que mais gostei", conta Andreza, que faz as aulas do Aeroclube nas horas de folga na escala de voos no interior paulista.
Já com mais de 2 mil horas de voo no currículo, o ex-aluno e piloto comercial Emerson Hajimu Hatanaka, de 27 anos, também considera que a formação no Aeroclube de Londrina é um diferencial para o currículo profissional. "A escola em Londrina é bem reconhecida pelas companhias aéreas. E a maior parte dos alunos busca trabalhar nestas companhias", reforça. Hatanaka, que fez também bacharelado em Ciências Aeronáuticas, na Universidade Norte do Paraná (Unopar), já voou no Panamá e está em busca de processos seletivos para trabalhar como piloto na Ásia.
O mecânico em manutenção de aeronaves João Alberto Magalhães, de 37, pontua que o Aeroclube de Londrina também tem sido porta de entrada para o mercado da aviação civil na área dele. Com um escasso número de profissionais, é comum que quem se forme como mecânico do setor obtenha logo uma boa colocação profissional. "A maioria dos alunos é de fora da área da manutenção, mas tem intenção fazer outros cursos depois, como o de piloto", afirma.
Uma parceria entre a Unopar e o Aeroclube de Londrina também possibilita que alunos do curso de Ciências Aeronáuticas façam aulas práticas de voo no centro de formação. O preço da hora voo também é um dos mais baixos do Estado. "É comum que alunos da Unopar venham fazer o curso de piloto conosco ou que nossos alunos façam a faculdade de Ciências Aeronáuticas também", pontua a gerente administrativa do local, sobre o convênio entre as duas instituições.
De acordo com o presidente do Aeroclube, Jonas Liasch, a tendência é criar em Londrina o próprio curso superior de aviação civil. Uma das capacitações a serem implementadas é a de Tecnólogo em Manutenção em Aeronaves. A meta é fazer isso em até dez anos. "Queremos sair do nível técnico e melhorar ainda mais nossa qualidade de ensino", enfatiza. Liasch assinala que, apesar da crise, este ainda é o momento de preparar novos profissionais. "Eles precisam estar prontos para quando as vagas estiverem em alta", diz.
O presidente analisa a homenagem recebida como o "reconhecimento do esforço da escola para se manter funcionando ao longo dos anos". "Somos uma instituição sem fins lucrativos, altamente vulnerável, que conseguiu sobreviver e está bem hoje. É reconhecida como a melhor escola de aviação civil do Brasil, embora não seja a maior. Entendemos isso como um orgulho para a cidade", destaca.
Ocupando uma área de 13 mil metros quadrados, o Aeroclube conta com sete aeronaves próprias e cinco cedidas em comodato pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Opera também com quatro aeronaves arrendadas e possui simuladores para treinamento de voo por instrumentos. Ao todo, o espaço tem ainda 12 hangares. Hoje, a instituição promove de 15 a 30 voos de instrução por dia, incluindo finais de semana e período noturno, e cerca de 500 a 650 horas de voo por mês.


