Uma queda e muitos problemas
A história da londrinense Maria Donizete Cícero, 36, ilustra bem o tamanho do problema que representa um buraco de rua. A queda aconteceu em frente à própria casa e deixou como saldo três cirurgias no joelho, nove anos de afastamentos constantes do trabalho, incapacidade para realizar tarefas domésticas, inchaço e muita dor.
Moradora da Rua José Faneco, no Jardim Nova Esperança (Zona Sul), a distribuidora de confecções sofreu o acidente há nove anos, quando descia da moto do marido. Desde então, enfrenta uma maratona de procedimentos médicos e sessões de hidroginástica para minimizar a dor e tentar retomar a vida normal.
Nos últimos anos, ela tentou voltar a trabalhar mas se afastou por não aguentar a dor. ''Perdi muitas oportunidades'', lamenta a vítima, que admite se envergonhar ao pedir ao filho ou à irmã para realizar serviços domésticos.
Com o joelho da outra perna ameaçado por conta da sobrecarga, Maria continua correndo riscos. O asfalto, cheio de buracos, nunca foi arrumado.''De vez em quando a prefeitura joga uma massa, mas o reparo vai embora com a primeira chuva'', conta.
Para quem mora no final da rua, a dificuldade não é menor. A comerciante Leonor Camargo, que mantem um bar no local, critica que os buracos atrapalham todo tipo de transporte. ''Por causa do mau estado da rua, nem ônibus consegue trafegar.''
Também na Zona Sul, os moradores do Santa Joana já estão cansados de pedir providências. Inconformado com os vários defeitos causados pelos buracos na própria moto, o motorista Antônio Carlos Cavalcante. conta que os problemas atrapalham também a vida profissional. Motorista em linhas de transporte coletivo na Zona Sul, Cavalcante revela que a péssima qualidade das vias ocasiona riscos de acidentes, danos nos ônibus e ainda dificulta o cumprimento dos horários em função da baixa velocidade. ''É prejuízo para a empresa, para o motorista e para a população.''(C.A)





