ReproduçãoUê boi!Primeira boiada chega para ‘inaugurar’ matadouro da Londrina de 34: recepção de Willie DavidsCom sua inconfundível indumentária - chapéu de colonizador inglês e bota de cano longo amarrado abaixo do joelho -, até o prefeito Willie Davids foi recepcionar a boiada que iria inaugurar o matadouro da Londrina de 1934, ano em que a vila fundada pelos ingleses virou cidade. E olha ele aí, todo posudo, à direita, entre o de mãos no bolso com pinta de assessor e o magrelo, em posição de sentido, com jeito de quem está cantando o Hino Nacional.
Aliás, observando bem, todo mundo na foto posou para a posteridade. Até os bois, talvez pela última vez na vida, contribuíram com o fotógrafo, ficando quietos na hora do clic histórico. E foi assim que, desde então, de boiada em boiada, o londrinense foi tirando cada vez mais o couro do boi, pegando um gosto tão grande pela carne bovina que, principalmente nos finais de semana, a Cidade parece mais uma imensa churrascaria.
Foi uma contribuição valiosa dos bovinos à cultura gastronômica da Cidade. Além disso, é bom não esquecer que, se o homem deu o sangue nessa empreitada chamada Londrina, o boi deu o sangue e tudo o mais: deu a carne, os ossos, o fígado, o rim, o coração, as tripas (vazias, claro), o bucho, o mocotó, o chifre, o couro e... até o rabo o boi deu. Sem esquecer o fatídico berro, que deu na hora de morrer.
São mais de 60 anos de mortal convívio - para o boi, claro. Pois se muitos homens tombaram na lida de construir uma cidade no meio da mata, qualquer bom comedor de churrasco sabe que a baixa entre os bovinos, durante todo esse tempo, foi muito maior. Só nessa foto aí, mais de 30 foram para o vinagre e outros temperos mais apropriados.
Porém, antes que alguém resolva parar a leitura para ir comprar carne - um churrasquinho na terça, meião de semana, é o que há! - observem que à esquerda da foto, lá no fundo, aparecem o telhado e a cruz da primeira igreja católica, no mesmo local onde está hoje a Catedral. E, detalhe curioso, Willie Davids nem sequer imaginava que estava tirando fotografia na praça que mais tarde viria a ter o seu nome.
E se todos nós tivemos a felicidade, hoje, de ver coisas que só os pioneiros viram, primeiramente devemos agradecer a José Juliani que nos legou a foto; em segundo lugar, ao Museu Padre Carlos Weiss, que a tem no seu acervo e, em terceiro, à agência Art Rural, que a utilizou para ilustrar o convite do Terceiro Leilão dos Pioneiros, que será realizado hoje, às 18 horas, no Parque Governador Ney Braga.

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