Uma pedagogia que põe juventude na agricultura
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sexta-feira, 02 de novembro de 2007
Widson Schwartz<br> Especial para a Folha 
Sapopema- A Pedagogia da Alternância, que se difunde desde 1935 na França e chegou ao Brasil na década de 80, está ajudando a fortalecer a agricultura familiar em seis municípios no nordeste do Paraná. Isto se dá com a formação integral de rapazes e moças na Casa Familiar Rural Padre Sasaki, em Sapopema.
Desde a fundação da escola, em 1994, exatamente 99 alunos foram qualificados em agricultura, frequentando o ensino fundamental, e no próximo ano se forma a primeira turma de 18 técnicos em agropecuária. Mas, antes de concluir o curso, que é de três anos, eles já estão no campo, intervindo nos assentamentos da reforma agrária e pequenas propriedades familiares, dos quais procedem, aplicando o que já aprenderam.
Isto é possível pela alternância: uma semana na Casa Familiar Rural (CFR), onde entram na segunda-feira pela manhã e saem na sexta-feira à tarde, e uma semana com as famílias ou em comunidades.
Aprendendo e praticando, os jovens recebem ''formação integral, interdisciplinar que lhes permite compreender as influências em seu meio'', observa o pedagogo Hélio Ferreira Couto, diretor da CFR, cuja mantenedora é a Associação Filantrópica Verde, que recebe apoio de instituições não-governamentais e governamentais.
Cabe à Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento (Seab) remunerar um zootecnista, um agrônomo e um técnico em Agropecuária; pela Secretaria de Estado da Educação (Seed) atuam os quatro professores das disciplinas inerentes ao ensino fundamental e médio; Associações de Pais e simpatizantes contribuem com alimentos. ''A gente sobrevive de doações'', resume Couto. A contribuição mais substancial vem da Associação Regional das Casas Familiares Rurais do Sul do Brasil (Arcafar Sul). ''É o guarda-chuva''. Com a sede em Barracão, sudoeste paranaense, a Arcafar Sul recebe contribuições de organismos oficiais e privados, entre os quais o Instituto de Cooperação Belgo-Brasileira (DisopBrasil), subsidiado pelo governo da Bélgica.
Congonhinhas, Figueira, Ibaiti, Santo Antônio do Paraíso, São Jerônimo da Serra e Sapopema têm aspectos econômicos, topográficos, fundiários e de clima semelhantes, estimando-se que, num período mais recente desde a década de 90, a reforma agrária tenha assentado 700 famílias nos limites municipais.
Artífice da CFR, o padre Haruo Sasaki, dirigente da Associação Filantrópica Humanitas, defende o aprimoramento dos jovens em prol da estrutura familiar, para se evitar que eles sejam induzidos a sair das propriedades e, desqualificados para coisa melhor, corram o risco de se tornarem bóias-frias.
Entre os futuros técnicos em agropecuária da CFR, Fernando Evangelista tem 18 anos e está levando seus conhecimentos à propriedade familiar de sete alqueires em Sapopema, parcelada entre suinocultura, gado de leite e café. Do seu ponto de vista, a formação na CFR proporciona-lhe um horizonte animador. ''Sem descuidar da propriedade, quem sabe possa ingressar na Universidade'', cogita.
O técnico em agropecuária Agnaldo Costa Queiroz, um dos monitores, estima que a CFR esteja ajudando a consolidar pequenas e minipropriedades, incluindo ''vileiros'' (das vilas rurais), totalizando 600 hectares. E segundo Hélio Couto, no campus da CFR os estudantes se envolvem com a agroecologia, compreendendo a preservação do meio-ambiente e a agricultura orgânica que, como se sabe, vem expandindo seu exigente mercado, internacionalmente, fator de remuneração justa aos produtores.


