Uma paróquia dedicada ao santo das corridas
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domingo, 27 de dezembro de 2009
Fernanda Borges<BR> Reportagem Local 
Ele não foi canonizado por ter sido mártir, nem mesmo por ter sido responsável por um milagre. O nome dele é mais lembrado no meio esportivo do que entre fiéis católicos, mas isso não tira o mérito de São Silvestre, que governou a Igreja quando o cristianismo passava a ser a religião oficial do Império Romano. No Brasil, apenas três paróquias são dedicadas a ele e uma delas fica em Maringá (Noroeste), num bairro que também leva o nome do patrono: Jardim São Silvestre.
Fundada em junho de 2004, a paróquia foi batizada com o nome do santo por causa do bairro. Muitos fiéis não conhecem a fundo a história dele. ''Ele não é um santo popular e também é muito antigo. Isso até nos atrapalha um pouco porque os fieis realmente não se envolvem com a história dele. Mas São Silvestre leva consigo casos de bastante expressividade como a participação dele no Concílio Ecumênico de Nicéia que definiu a divindade de Cristo'', explica o pároco, padre Rildo da Luz afirma.
A data em que se comemora a figura do santo, 31 de dezembro, é o dia em que ele morreu. Natural de Roma, São Silvestre foi papa durante os anos 314 a 355 d.C. e até hoje é lembrado como um protetor dos seguidores mais fiéis de Cristo. ''Naquela época muitos cristãos ainda eram perseguidos e ele viveu justamente nesse momento, em que a igreja passou por essa transformação da aceitação de Jesus numa figura divina'', comenta o padre.
Há apenas um ano na paróquia, padre Rildo é o terceiro pároco a assumir a administração da igreja. Ele lembra que no final da década de 90, o padre John Carmana, um maltês que atuou na igreja por cerca de cinco anos, promovia a ''Corrida de São Silvestre'' entre os fiéis. ''Acontecia em junho, próximo à data de fundação da paróquia. Era um percurso de uns cinco quilômetros'', explica.
Tereza de Carvalho, 73 anos, que acompanhou todo o processo da construção e fundação da igreja, lembra que a corrida reunia centenas de pessoas. ''Tinha criança, jovem, velho, era muito legal. O padre colocava um chapéu de palha e corria junto com todo mundo'', lembra.
Voluntária na paróquia, Tereza é uma católica dedicada e se orgulha em dizer que praticamente mora no imóvel. ''Quando foram construir aqui eu fiquei muito feliz porque o terreno era colado à minha casa. Eu conheço mais essa igreja que qualquer padre que passou por aqui'', comenta, sorrindo. Para ela, a figura de São Silvestre é importante, ainda que muitos não o conheçam. ''É muito bacana a história dele. As pessoas deveriam conhecer mais. Dedico minhas orações a ele, mas também a Santa Rita e principalmente a Jesus'', enfatiza.
Todo dia 31 de dezembro, uma missa especial é celebrada na paróquia. ''Fazemos uma missa voltando nossas orações para ele e para Jesus. Não fazemos grandes festas porque muitas pessoas passam a virada do ano ao lado de familiares, mas não deixamos de fazer a celebração'', diz o padre, que cogita a possibilidade de dar continuidade às corridas no bairro. ''Vamos ver, essa é ainda uma ideia apenas porque daí eu teria que correr também'', brinca.


