''Navegar é preciso, viver não é preciso'', eternizou o poeta português Fernando Pessoa. Embora tenha se tornado um clássico literário, a frase não se aplica a muitos profissionais que encontraram no trabalho em cruzeiros marítimos uma opção para obter renda e ainda enriquecer-se culturalmente com visitas a outros países. Estima-se que nos últimos anos, em média, 5 mil brasileiros optaram por experimentar esse estilo de vida.
Comuns principalmente em São Paulo e Rio de Janeiro, estão sendo oferecidos em Londrina alguns cursos preparatórios para quem deseja iniciar na atividade. São cinco modalidades: Navio Express Bar, Restaurante, Recepção e Fotografia, além do Life on Board. ''Decidimos fazer cursos voltados para essas áreas porque são as mais procuradas. Já o Life on Board é interessante para todos que almejam ser tripulantes, pois abordará alguns requisitos necessários para se viver em um navio'', explica Milu Leão Duarte, coordenadora dos cursos. A iniciativa surgiu da parceria entre a 4 Crew Centro de Formação de Tripulantes e o Instituto Keynes.
Milu esclarece que os interessados não precisam ter uma formação específica para fazer um dos cursos. Dentro da modalidade Navio Express serão turmas específicas para os cursos de bar, restaurante ou recepção. Os três cursos terão 16 horas de duração. Já quem deseja fazer a modalidade Fotografia terá oito horas de aula. Não há número de vagas definido. As inscrições realizadas até amanhã para as modalidades restaurante, bar e recepção darão direito também ao Life on Board.
Entre as vantagens de um tripulante estão o salário, que varia de US$ 600 a US$ 2 mil, de acordo com o cargo. A coordenadora adianta que o trabalhador praticamente não terá despesas. ''Só se gasta com consumo pessoal, o que se come, os passeios e o que se comprar, mas não há aluguel nem contas para pagar'', afirma. No entanto, ela faz ressalvas. A vida dentro do cruzeiro é regrada, com horários bem definidos. ''É ilusão achar que vai se poder descer em toda parada e conhecer países. Tudo vai depender do seu cargo e das necessidades do cruzeiro quanto à tripulação'', avisa. Além do curso, a coordenadora recomenda aos que desejarem tornar a vida em navio uma profissão que procurem se especializar o quanto antes.
Entre os motivos que levaram a assistente de garçom Karina Takahashi ao mundo dos cruzeiros está a possibilidade de viajar, usar um conhecimento já adquirido e fazer algo diferente. Perto de assinar seu terceiro contrato, ela conta que descobriu que poderia trabalhar na área durante uma palestra enquanto cursava a faculdade de Turismo e Hotelaria. Com um tempo médio de sete meses a tripulante se diz acostumada com a profissão. ''Minhas férias duram de oito a 10 semanas e não vejo a hora de voltar'', garante.
Karina pondera que a vida em navio é bem diferente da vida em terra, por isso recomenda que quem quiser embarcar nessa precisa avaliar suas condições. Opinião parecida tem Roberta Cassante, que também já passou por dois contratos, mas na função de assistente de limpeza. ''Sempre quis algo diferente para praticar meu inglês por ser formada em secretariado executivo. Trabalhar em cruzeiro surgiu como oportunidade'', explica.
Se por um lado os relatos de quem já viveu em navio apresentam prós e contras, quem encara sua primeira viagem vive a expectativa de um mundo novo. É o caso de Cissa Araujo Neves: ''Estou bem ansiosa pelo que vou encontrar, mas acho que valerá muito a pena'', opina ela, que trabalhará como vendedora no shopping.

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