Uma opção para o futuro da Caximba
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quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009
Dimas Rodrigues<br> Equipe da Folha 
Paulínia (SP) - O restaurante Sabor Bom, em Paulínia, região metropolitana de Campinas (São Paulo) tem apenas 12 mesas. É simples, mas a comida cheirosa e caseira não é dispensada por uma centena de clientes que se alimentam ali diariamente. O cheiro e o movimento no local poderiam ser bem diferentes, considerando que no mesmo bairro está instalado um aterro sanitário onde são depositadas diariamente cerca de 3,5 mil toneladas de lixo -uma tonelada a mais do que o volume recebido pelo aterro da Caximba, que acumula lixo de Curitiba e região. Contudo, cheiro ruim ali não existe. Nem ali e nem quando se está dentro do aterro.
Enquanto o Consórcio Intermunicipal de Resíduos Sólidos e o Instituto Ambiental do Paraná (IAP) não definem em qual área será instalada a "indústria do lixo" que irá substituir o aterro da Caximba -e tampouco divulgam detalhadamente qual será a tecnologia empregada nesse processo- modelos adotados em outras regiões surgem como soluções.
O lixo de 12 cidades, das 19 que fazem parte da Região Metropolitana de Campinas, seguem diariamente para o depósito da Estre Ambiental, a mesma empresa que adquiriu em 2007 uma área para o mesmo fim em Fazenda Rio Grande, na região de Curitiba. Os resíduos são domiciliares e industriais, classificados como IIA e IIB. Quando os caminhões chegam no pátio, eles passam por uma balança. Até aí, nada diferente do que ocorre no aterro da Caximba. Mas as semelhanças acabam ali mesmo, na entrada. Depois de checar o peso, uma amostra da carga é retirada para a inspeção.
Posteriormente, os caminhões despejam o lixo sobre um imenso terreno que muito antes é forrado com uma manta especial de polietileno de alta densidade. Com isso, o lixo não tem contato com o solo. Depositados, os resíduos são compactados por máquinas e cobertos por terra. E assim, acumula-se, lixo e terra, até atingir 5 metros de altura, formando uma célula.
Em cada célula é instalado um sistema com tubos e dutos que fazem a drenagem e a captação do chorume -líquido de cor escura, poluente e de forte mau cheiro que se origina da decomposição dos resíduos. O chorume é um dos principais vilões dos aterros sanitários, pois pode contaminar por centenas de anos o lençol freático e comprometer a fauna e flora da região se não for controlado.
Nesse aterro, o chorume é drenado até um tanque e depois é tratado. Os gases produzidos pelo lixo ainda passam por uma Central de Biogás projetado para reduzir a queima do CH4 (metano), a fim de atender aos propósitos do Protocolo de Kyoto.
O ciclo ainda pode ficar mais sustentável. "Essa queima do gás pode ser transformada em energia elétrica, mas como é um processo inovador, estamos aguardando uma decisão da ONU", explicou Valtemir de Melo, diretor de comunicação da Estre.
Um cinturão verde com eucaliptos em torno do aterro auxilia a manter a salubridade do ambiente. "Aterro aqui perto? Nem sabia que existia... Sei que tem uma empresa de reciclagem ali atrás, mas não tem cheiro nenhum aqui não. A única coisa que fede às vezes é o caminhão que passa ali, mas fora isso, nada", disse Silvana Aparecida Zangelmin, 47, cozinheira do restaurante Bom Sabor.
Concorrência
A Estre adquiriu uma área de 2,5 milhões de m2 em Fazenda Rio Grande em 2007, porém apenas 500 mil m2 podem ser aproveitados, o restante é uma área de reserva ambiental. A meta da empresa que tem uma receita anual de R$250 milhões de reais é expandir a atuação no país, pois hoje atua em SP e na Argentina. Porém, a possibilidade de uma outra área na cidade ser utilizada para a nova indústria do lixo do Consórcio que está em processo de licitação, além da mobilização de parte dos moradores que são contra a instalação do empreendimento na cidade, colocam em risco o plano de expansão da empresa no Paraná. (O repórter Dimas Rodrigues viajou para Paulínia a convite da Estre Ambiental)


