Depois do sucesso do site de pesquisas Google, o endereço que possibilita visualizar qualquer ponto do planeta Terra virou febre entre os amantes da tecnologia e até mesmo curiosos de plantão. Estamos falando do Google Earth, espécie de programa doméstico digital que, resumidamente, permite que a pessoa veja uma imagem aérea bem próxima do local desejado, até mesmo sua residência.
Inimaginável há algumas décadas, tal situação só era possível - ainda que de uma forma diferente - por meio dos mapas desenhados por engenheiros cartógrafos, que comemoram hoje o seu dia. Mas se tanta tecnologia salta aos olhos, foi exatamente ela quem possibilitou que uma das mais antigas profissões ganhasse evidência e importância no cenário atual.
Engana-se quem pensa que essa tecnologia, assim como em tantas outras áreas, tomou espaço dos profissionais. O engenheiro cartógrafo tem sido requisitado no mais variados setores. Mas, afinal, de que forma esse profissional trabalha? Segundo o professor do departamento de Geociências da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Zaqueu de Jesus Rodrigues, é o engenheiro cartógrafo quem vai desenvolver atividades através das ciências do mapeamento como geodésia, topografia, fotogrametria, sensoriamento remoto e cartografia propriamente dita.
''Serão essas áreas, que por meio de imagens de satélites, fotos aéreas, por exemplo, vão permitir que o cartógrafo meça e represente graficamente a superfície terrestre. A cartografia é feita frequentemente com base na fotometria e sensoriamento - com imagens por satélites - dando maior precisão aos mapas.''
O professor lembra que, no princípio, a representação do espaço baseava-se na observação e representação do local. ''Com o aperfeiçoamento das técnicas foi possível o desenvolvimento de um sistema de informação geográfica eficaz, seja analógico, no papel, ou no meio digital.'' Por estes motivos, observa Rodrigues, e por causa da lei federal 10.267, de 2001, houve um aumento na procura por profissionais da área com conhecimento técnico. ''A lei diz que qualquer propriedade rural deve ser registrada. E, atualmente, esse trabalho deve ser, obrigatoriamente, realizado por um cartógrafo'', acrescenta.
Democratização
De acordo com o engenheiro cartógrafo da Copel, Marco Antonio Rucinski, com o advento do GPS (Global Navegation Satelit System) a área ganhou força. ''Esse tipo de informação, que era restrita aos órgãos públicos e militares e considerada de segurança nacional, agora faz parte do dia a dia da população. A cartografia deixou de ser um 'bicho de sete cabeças' e passou a fazer parte do homem comum, seja pela utilização do GPS ou pelo Google Earth'', comenta.
Além disso, conforme ele, as empresas se deram conta também da importância da ferramenta para seu trabalho de logística. ''No entanto, o 'famoso' GPS de nada serve se a pessoa não tem um mapa em mãos. Ele apenas dá a posição no globo terrestre. Para saber onde, efetivamente, você está, é necessário o uso de um mapa'', explica. Sobre essa democratização da cartografia, o engenheiro vê com positiva. ''Para efeito militar, pode ser considerada uma tragédia, pelos problemas de segurança que pode trazer. Contudo, o ganho foi muito maior com a democratização da informação.''
Ele alerta que, no entanto, o Google Earth não tem precisão cartográfica para os órgãos públicos e privados. ''O programa é interessante para estudos, mas não como subsídio para projetos e execução'', adverte. Fora do âmbito doméstico, a cartografia é essencial aos órgãos como prefeituras, empresas de água, saneamento, energia e secretarias de planejamento.
Conforme ele, a cada cinco anos deve ser realizada um trabalho macro nos municípios. ''Será com o mapeamento em mãos que as administrações dos municípios, por exemplo, poderão demarcar as propriedades adequadamente e assim fazer da melhor forma a tributação para a consequente arrecadação de impostos.'' A avaliação dos imóveis é feita por voo aerofotogramétrico. ''Isso é necessário para que se tenha ideia de onde existem novas residências'', finaliza.

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