Uma missão desafiadora
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sábado, 08 de janeiro de 2011
Michelle Aligleri <br>Reportagem Local 
Cambé - Aparecida Jardine. Este é o nome da irmã claretiana responsável pelo abrigo Padre Manoel Coelho de Souza, em Cambé (Norte). Há cinco anos ela dedica seu tempo integralmente aos cuidados com pessoas desconhecidas que procuram apoio, pouso e alimento. ''São pessoas que têm uma história de vida muito difícil, a maioria teve a infância muito sofrida'', justifica.
Irmã Jardine explicou que o abrigo é uma casa de passagem, onde as pessoas ficam alguns dias para ''organizar a vida''. ''Recebemos até pedreiros, marceneiros que vêm de outras cidades para trabalhar nas construções, mas muitos não têm onde ficar até receberem o primeiro salário. Acabamos acolhendo-os no abrigo por algum tempo'', declarou. Conforme a irmã, cerca de 20 pessoas moram no local. ''Nós também encaminhamos para asilos, mas há alguns que se recusam a sair'', explicou.
Dezenas de pessoas aparecem diariamente no abrigo. Ela justifica a grande procura afirmando que no local as pessoas são tratados como uma família. ''Deixo-os livres para irem para a rua, jogam baralho, conversam à vontade'', disse. A irmã ressalta que faz pelas pessoas o que uma mãe faria e isso inclui conselhos e broncas. ''Falo que todos têm a responsabilidade de ajudar o mundo, digo que a droga e a bebida não levam a nada. Alguns chegam aqui chorando porque querem se livrar do vício e nós buscamos ajuda. É muito difícil ver um homem chorar'', disse.
Nas noites de inverno o abrigo chega a receber 55 pessoas. ''Este é um número muito acima da nossa capacidade, mas não podemos recusar, colocamos colchões no chão, damos um jeito'', lembrou. O abrigo recebe uma verba da prefeitura, mas é mantido com doações da comunidade.
Administrar a casa é considerada uma missão desafiadora, mas muito gratificante pela irmã Jardine, que cita um caso marcante. ''Um senhor chegou dizendo que estava morto, se recusava a comer. Ficamos seis meses dando comida na boca, buscamos atendimento médico e ele só melhorou quando começou a se sentir amado. Hoje estamos muito felizes, porque ele ele está comendo sozinho'', contou, emocionada.
Para ela, estas vivências a fazem continuar o trabalho. ''Sempre me lembro de um pensamento de madre Tereza de Calcutá, que diz que o que estou fazendo é uma gota d'água no oceano, mas o oceano é feito de muitas gotas d'água. Se cada um fizer a sua parte o mundo pode ser melhor e mais feliz, só depende de nós'', concluiu.
Serviço - O abrigo Padre Manoel Coelho de Souza fica na Rua Fortaleza, 520, fone (43) 3254-8746


