Uma mão para desenvolver os pequenos
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quinta-feira, 27 de agosto de 2015
Antoniele Luciano<br>Reportagem Local 
Na sala de espera, os risos e as brincadeiras quase não deixam perceber que o local é uma clínica. Mas é. No Espaço Escuta, uma organização da sociedade civil de interesse público (Oscip) de Londrina, o tratamento precoce de distúrbios que afetam o desenvolvimento global das crianças é a chave para que a turma ganhe autoestima e autonomia. Oferecido por meio do Sistema Único de Saúde (SUS), o atendimento é interdisciplinar conta com psicopedagogos, psicólogos, fonoaudiólogos, fisioterapeutas, neurologistas, assistentes sociais e terapeutas ocupacionais que atuam de forma integrada. Todas as terapias compartilham de um mesmo eixo, a psicanálise.
Para ser assistido, é preciso encaminhamento de uma unidade básica de saúde (UBS), explica a presidente do Espaço Escuta, a psicóloga e psicanalista Maribel de Salles de Melo. Quando foi criada, há 14 anos, a organização contava com 40 pacientes. Hoje, são 92. Ao longo deste período, mais de mil crianças passaram pelo local. "Vemos que os pais estão procurando ajuda mais cedo. Além disso, também tivemos mudança no manual de diagnósticos de transtornos mentais, que passou a considerar as doenças como transtornos do espectro autista", diz Maribel.
Ela assinala que é fundamental para o desenvolvimento da criança que o tratamento comece o mais cedo possível. Por conta disso, o público atendido costuma ingressar no espaço com até 5 anos. "Tem casos que conseguimos reverter totalmente a síndrome. Também trabalhamos com inclusão em escolas regulares e fazemos um trabalho com as famílias, em reuniões individuais e em grupo, para passar para os pais essa evolução que apresentam", comenta.
É a partir de brincadeiras que as sessões com os profissionais conquistam a atenção dos pequenos. Foi assim com Isabela Portella, de 10 anos. A mãe dela, a dona de casa Simone Pontes Portella, de 42, conta que a filha chegou ao Espaço Escuta há nove anos. Na época, o tratamento convencional não tinha sido bem aceito pela criança. "Ela se machucava muito, não gostava. Uma amiga minha conhecia o Espaço Escuta, sabia das minhas dificuldades e me indicou o lugar. Lá, a Isabela foi aceitando e evoluiu muito nesses anos", avalia.
O contato com outras mães com filhos com síndromes semelhantes também ajudou Simone a se fortalecer na busca pelo diagnóstico e desenvolvimento de Isabela. "No início, ficamos meio perdidas. Por isso, é bom este contato. Ainda assim, cada caso é um caso, por mais que seja a mesma síndrome", pontua a mãe.
A autônoma Angélica dos Santos Nessa, de 33 anos, também relata que o desempenho do filho Luiz Miguel, de 10, vem melhorando com o tratamento do Espaço Escuta. Ele frequenta a clínica desde os 2 anos de idade, devido a uma má formação gestacional. No espaço, ele faz atividades que o ajudam a trabalhar o raciocínio. "O médico diz que a resposta dele está dentro do esperado", afirma Angélica.
O brincar no tratamento, seja com jogos, massa de modelar, potes ou fantasias, observa a também psicóloga da organização Vera Lúcia Dolenz, é entendido como parte da constituição do sujeito. "Encaminhamos para construção de conceitos, significados com a criança", diz.
SERVIÇO
Espaço Escuta atende pacientes pelo SUS e particulares. Mais informações podem ser obtidas pelo telefone (43) 3339-4398.
O endereço é Rua Amador Bueno, 388, na Vila Ipiranga, em Londrina


