Uma mão amiga para fazer o caminho de volta
Durante muitos anos, a única companhia de Orlando Generoso, 61 anos, foi o álcool. ''Eu até queria seguir um caminho, mas a bebida sempre me puxava para outro''. Natural de Marília (SP), ele saiu de casa aos sete anos para trabalhar. De cidade em cidade - sempre viajando a pé -, aprendeu a beber e fez do vício sua razão de viver. ''Não tinha muito medo de ser maltratado, porque se a gente agir com respeito, vai ser respeitado''.
Mas a vida de Orlando começou a mudar quando apareceu Valdemir Soares, vizinho da irmã dele, Marlene Generoso, com quem o ex-morador de rua vive atualmente. ''Eu via que o Orlando era um cara batuta'', conta com a simplicidade que a verdadeira amizade provê. Persistente, ele procurou os familiares de Orlando - ele tem dois filhos e é separado da esposa - buscando uma reaproximação. Primeiro tentou o filho, depois a irmã, até que resolveu colocá-lo dentro da própria casa. Sem preconceitos, arrumou emprego para ele e tentou evitar que bebesse. Hoje, com o amigo recuperado, não se vangloria do feito: ''Só queria ajudar de alguma forma''.
Entre os ex-moradores, comuns são as histórias de preconceito. Marco Antônio Silva é quem garante reconhecer que, pela situação em que se encontravam - sujos, alcoolizados, famintos -, seria natural a discriminação. ''O que não aceitava é que todos fossem classificados como más pessoas. Muitos nem se envolviam com 'coisas erradas'. Agora temos é que batalhar para sermos reconhecidos por quem nós somos'', afirma. (G.B.)





