Há quem só esteja de passagem ou aproveita o espaço para descansar da jornada. Há também os perdidos e são estes os rostos que passam despercebidos pelos viajantes que frequentam o Terminal Rodoviário de Londrina diariamente. Gilberto Pereira Mendes, 48 anos, é um deles. Pedreiro desempregado, deixou a filha de 17 anos em Telêmaco Borba (Campos Gerais) para tentar um trabalho em Cornélio Procópio (Norte). Na manhã de ontem, ele pedia ajuda para seguir viagem.
''Estou viajando há cinco dias, um pedaço a pé e o resto de ônibus, já que consegui ajuda de uma assistente social no caminho'', contou o pedreiro, que havia chegado a Londrina às 16 horas de anteontem e passou a noite em claro, nos bancos do terminal, sem se alimentar.
E foi lá que encontrou o motorista Vilson Vicente, 42, que também está de passagem pela cidade. Viajando há dois dias, vindo de Jaguapitã (Norte), ele chegou de ônibus até Rolândia (Norte) na tarde de anteontem. Sem dinheiro, perambulou pela Rodoviária local até receber R$ 5 de uma mulher. ''Aproveitei para pagar o circular até Londrina'', disse Vicente, cujo destino é Curitiba.
Na manhã de ontem, ele tentava ligar para a esposa e combinar o encontro deles em Londrina, já que seguirão juntos para a Capital. ''Em Jaguapitã não trabalho para mim'', justificou Vicente, que estava no terminal londrinense desde às 22 horas de anteontem.
''Um animou o outro para não dormir'', completou o motorista, que encontrou no pedreiro uma companhia para driblar a solidão. ''As pessoas olham para a gente com jeito estranho, mas não estamos fazendo nada de errado.''
Já um grupo de cinco trabalhadores da construção civil, que chegaram em Londrina às 5 horas, vindos de Chapadão do Sul (MT), depois de 24 horas de estrada, aguardavam um transporte até o novo local de trabalho na cidade. ''Viemos de Panarama, no Maranhão, e ficamos quatro dias em Chapadão. Como o serviço que estava prometido lá não deu certo, viemos para cá e se o troco for bom, a gente fica'', comentou Antonio Carlos Silva Moraes, 23, que viaja de cidade em cidade em busca de trabalho desde os 19 anos.
Em celebração à 25 Semana Nacional do Migrante, integrantes da Pastoral do Migrante fizeram plantão na rodoviária ontem, acolhendo quem chegava. Às 6 horas, culto ecumênico aqueceu a área de embarque e desembarque. Segundo a coordenadora da Pastoral, Márcia Ponce, das 8 às 17 horas, advogados e psicólogos voluntários atenderam os viajantes, assim como funcionários da Secretaria Municipal da Mulher e do Sinal Verde.
A programação prevê ainda palestras e missas até domingo. No sábado, apresentações culturais, com comidas e danças típicas, no Jardim Novo Bandeirantes, em Cambé.

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