Imagem ilustrativa da imagem Uma mala e muitas histórias dos migrantes em Londrina
| Foto: Marcos Zanutto - Grupo Folha

A mala representa partida. Além de roupas e objetos, costuma carregar muitos sonhos e planos. No caso dos migrantes, simboliza a busca por uma vida melhor e com mais oportunidades. Somando tudo isto, a Cáritas Arquidiocesana promoveu na tarde desta terça-feira (4) uma roda de conversa com diversas pessoas de outras nacionalidades atendidas pela instituição. A ação faz parte da campanha mundial “compartilhe a viagem”, lançada pelo Papa Francisco em 2017.

As histórias retratadas pelos migrantes foram colocadas numa mala, que será enviada no final deste ano para Roma, diretamente para o líder máximo da Igreja Católica. A mala já percorreu Foz do Iguaçu, Cascavel, Maringá e Apucarana. Chegou em Londrina na semana passada, onde ficará até quinta-feira (6), sendo encaminhada para Jacarezinho. Em seguida ainda vai ser levada, no Paraná, para Ponta Grossa e Curitiba. No Brasil são cinco malas percorrendo todo o território nacional. Ao redor do mundo são centenas.

“Desde que a mala chegou a Londrina estamos organizando e reunindo histórias e materiais em rodas de conversas, partilhas, aulas de português e atendimentos rotineiros que a entidade presta aos migrantes. Esta atividade é uma forma de valorizá-los e seguir as quatro atitudes concretas aos refugiados, indicadas pelo próprio papa, que são acolher, proteger, promover e integrar”, destacou Deusa Rodrigues Favero, gerente da Cáritas Arquidiocesana de Londrina.

Somente neste ano, entre janeiro e o início de junho, a instituição realizou 397 atendimentos. A grande maioria de pessoas do Haiti (264), seguido de Bangladesh (74), Venezuela (20) e Colômbia (19). “Por trás dos números existem pessoas e que têm trajetórias de vida. Esta população não pode ficar restrita a números, mas ao valor que elas carregaram e representam”, elencou. A Cáritas presta apoio em diversas frentes aos migrantes, como confecção de documentação junto aos órgãos competentes, encaminhamentos socioassistenciais e aulas de português.

RECONSTRUÇÃO

Entre as histórias compartilhadas e guardadas na mala está a do venezuelano Franklin José Gutierrez Gonzalez, 49. No Brasil há um mês, trouxe a mãe, de 79 anos, e a filha, de 22, com o objetivo de encontrar um lugar com mais educação, segurança, trabalho e saúde. “A Venezuela está com muitos problemas. Não há comida, medicina, não nos sentimos seguros. A Cáritas tem me ajudado muito, me indicando para conseguir documentos. Já dei entrada na carteira de trabalho. Estou fazendo alguns pequenos serviços até conquistar algo fixo. De pouco em pouco vamos nos ajeitando”, projetou. “Quero encontrar aqui prosperidade, melhores oportunidades e ser autossuficiente na minha sobrevivência, com minha filha podendo estudar”, completou.

Moradora do jardim Ana Rosa, em Cambé (Região Metropolitana de Londrina), Majenta Jodaelle Joseph ainda está aprendendo português. Vinda de Mirebalais, no Haiti, veio sozinha para o Brasil, e mora com duas amigas, também haitianas. No momento, sua procura é por uma vaga de emprego. “Vim para encontrar trabalho e poder ajudar minha família, que está no Haiti. Estou em fase de adaptação, pois cheguei há três meses, porém estou gostando daqui. Tenho certeza que dará tudo certo”, contou com otimismo.

Segundo Deusa Favero, a maior colaboração que os brasileiros podem ofertar aos migrantes é a quebra de preconceitos e o suporte para reconstruírem suas vidas. “O primeiro entendimento que precisa existir é de que a migração não é algo novo, mas que existe desde sempre. Se formos calcular, a quantidade de brasileiros fora do País é três vezes maior do que refugiados aqui. Precisamos saber acolher e ajudar na inserção do mercado de trabalho, que é um dos principais desafios, o que também interfere a situação econômica que estamos.”

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