Uma longa história de amor
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quinta-feira, 11 de setembro de 2008
Marta Ortega<br>Reportagem Local 
Uma mistura simples e milagrosa que até hoje vem salvando vidas. A multimistura salvou Tiago da Silva, hoje com 21 anos. Subnutrido, ele nasceu com apenas 900 gramas em função da falta de cuidado durante a gestação da mãe, a dona de casa Maria Aparecida da Silva. O bebê ficou internado 28 dias em um hospital de Porecatu (Norte), até que a Pastoral da Criança de Florestópolis (73 km de Londrina) assumiu a responsabilidade. Tiago é uma das incontáveis crianças atendidas pela pastoral, que festeja os 25 anos do início das ações que reduziram a desnutrição e a mortalidade infantil em todo o país. As comemorações acontecem no sábado.
Tiago ficou oito meses no Centro Nutricional da Pastoral, que funcionava em um pequeno colégio de Florestópolis. Maria Aparecida só via o filho nos finais de semana. ''Às vezes, as freiras nem deixavam ver, de tão mal que ele estava. Ele ficou entre a vida e a morte. Ninguém dizia que ele ia se recuperar'', relembra a mãe.
As freiras a que dona Maria Aparecida se refere são Ana Maria e Madre Eugênia. A partir dos seis meses, o bebê teve a multimistura adicionada ao leite e à comida e aos poucos recuperou a saúde. ''Se não fosse a ajuda de Deus e da Pastoral, meu filho não teria sobrevivido'', conta a mãe, orgulhosa de ter hoje um homem dentro de casa. ''Quem olha para o Tiago hoje não imagina que ele quase morreu.''
Tiago concluiu o colegial e trabalha no setor de caldeira da Usina de Porecatu. Casado e pai de uma menina de um ano e três meses, ele hoje faz questão de dar a multimistura para a filha, como complemento na alimentação. ''Sei o quanto foi importante para mim.'' Maria Aparecida, depois de ter o filho recuperado, começou a ajudar no trabalho da pastoral e hoje é líder de um setor. ''Faço pelas outras crianças o que fizeram por ele na época em que eu precisei.''
Outra jovem recuperada em Florestópolis é Edileusa Martins de Oliveira, 24 anos. Ela também foi internada com desnutrição logo que nasceu e, em estado mais grave, ficou até os três anos no Centro Nutricional. Hoje, na casa de Edileusa, que tem três filhos - João Lucas, de quatro anos, Bruna Stefane, de dois, e Bruno Ariel de seis meses -, não falta multimistura. ''Fico feliz por ter sido ajudada. Se não fosse a Pastoral eu teria morrido''.
A jovem é orientada pela líder comunitária Laurinda Santos Silva, a dona Lola. Ela participa da pastoral desde o início. São 25 anos de história e hoje, junto da nora, Márcia Michelim, que há 12 anos trabalha como apoiadora do projeto, ela passa de casa em casa, orientando as mães e acompanhando o desenvolvimento das crianças. ''É um trabalho abençoado que a gente faz com muito amor.''


