Uma irregularidade para driblar outra
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quarta-feira, 11 de junho de 2008
Mariana Guerin<br> Reportagem Local 
Dez e meia da manhã de quarta-feira, véspera do Dia dos Namorados. Correria geral pelo Calçadão, a maioria dos londrinenses em busca do presente perfeito, ou aquele de última hora mesmo. Sem lugar para estacionar, vale deixar o carro - mesmo que só por alguns minutos - na vaga de carga e descarga, exclusiva para esta finalidade das 7 às 12 horas.
Centenas de entregadores se vêem reféns do caos no trânsito do Centro da cidade todos os dias. Para driblar os espertinhos que utilizam as vagas destinadas a eles, entregadores dão voltas intermináveis pelos quarteirões, à espera do local onde irão estacionar por, na maioria das vezes, não mais que meia hora. Quando a impaciência supera a insistência, eles se rendem à fila dupla, atrapalhando outros condutores que não têm nada a ver com a história.
''Tenho bastante problema e costumo parar em fila dupla até a pessoa se tocar e tirar o carro. Isso quando os agentes de trânsito não colocam a caneta na gente'', comentou Adilson Alves de Souza, entregador de sorvetes, enquanto estacionava o caminhão da empresa na Avenida Rio de Janeiro. Minutos antes de conseguir a vaga, dois carros de passeio ocupavam o local destinado à carga e descarga. Ao avistar o carro da reportagem, os motoristas rapidamente deixaram a vaga, sem querer explicar por que estacionaram em local proibido.
''Foi por pouco'', destacou Souza, lembrando já ter levado até multa por permanecer em fila dupla enquanto esperava vaga. ''Hoje trabalho com um ajudante. Enquanto eu dou uma volta no quarteirão, ele guarda a vaga'', disse.
Se não consegue local para estacionar, Souza retorna só no outro dia. E as entregas se amontoam. ''É ruim porque demoro no máximo 15 minutos para descarregar tudo.'' Para ele, não adianta brigar com os motoristas. ''Tem uns que até são compreensivos.''
Na Rua Sergipe, sobram vagas destinadas à carga e descarga e também irregularidades: carros e motos ocupando espaços proibidos como se fosse estacionamento privado. A poucos metros dali, na Rua Benjamin Constant, em frente ao Terminal Urbano, as vagas de carga e descarga estão lotadas. São caminhões carregando e descarregando móveis e mercadorias diversas que irão abastecer o comércio local. Fornecedores das barracas de lanches também utilizam o espaço para descarregar alimentos. Em meio a tudo, um caminhão estacionado na calçada, esperando uma vaga.
Conforme o entregador Afonso Oliveira, além dos motoristas, os agentes de trânsito incomodam muito. ''Várias vezes tentei conversar com os motoristas, muitos estavam dentro do carro e mesmo eu pedindo para estacionar eles não saíram da vaga.''
Para ele, também não compensa discutir com quem usa irregularmente a vaga de carga e descarga e nem reclamar para a Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU). ''A gente dá a volta no quarteirão, pára em fila dupla para ver se o cara se toca, mas tem mesmo é que ter paciência'', admitiu o entregador, que costuma facilitar o trabalho dos companheiros de profissão. ''A gente carrega rápido para dar chance de outro usar a vaga.''


