Uma invenção do homem das cavernas
O espeto para assar carnes foi usado a primeira vez na pré-história. Sentadinho ao lado da fogueira, o homem das cavernas fincou um pedaço da caça em um pau, colocou sobre o fogo e inventou o antepassado mais remoto do atual churrasquinho. Com o tempo, explica o professor de história da gastronomia da Unopar, Djalma Araújo, os gostos e costumes mudaram e a praticidade das coisas, inclusive na culinária, reduziu o espetão à um espetinho de poucos centímetros que tem como principal atrativo a rapidez no preparo.
Araújo afirma que o espetinho atual foi resultado da junção dos três primeiros elementos da evolução da gastronomia: o fogo, a ferramenta e a carne. ''Em tempos de fast-foods (comidas rápidas) o espeto dos tempos modernos torna-se individual, transformando-se em ''espetinho''. A primeira vantagem é que são práticos, tanto para quem os produz como para quem
os consome'', afirma.
Araújo incentiva as pessoas a usarem a imaginação, pois os espetinhos aceitam muitos molhos e ingredientes. Tudo para acrescentar sabor. ''Pode-se deixá-lo com gosto de comida oriental se passá-lo pelo shoyo e gengibre. Pode ficar italiano se forem acrescentados ingredientes como mussarela, tomates e berinjelas. Se quiser deixá-lo mais tropical, misture camarões e frutas no espeto'', sugere o chef. Coca-cola, cerveja ou vinho também dão um sabor especial ao churrasquinho.
E para o famoso ''espetinho de gato'' ficar macio como filé-mignon, o professor revela alguns truques. Às carnes mais duras podem ser acrescentados pedaços de mamão verde ou de abacaxi. Enzimas liberadas por essas frutas degradam as fibras da carne e amaciam os pedaços mais duros. Só é preciso ficar de olho enquanto a carne estiver de molho porque dependendo da quantidade de enzimas liberadas que varia conforme a temperatura e a maturidade da fruta o truque pode ''derreter'' os pedaços. (L.A.)





