Uma ilha de artesanato no Rio Tibagi
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domingo, 06 de maio de 2007
Vanessa Navarro<br>Reportagem Local 
O casamento entre turismo e artesanato encontrou o lugar perfeito para ser celebrado: a famosa ''Ilha do Baiano'', em Jataizinho (21 km a leste de Londrina). Cercados das águas do Rio Tibagi por todos os lados, artesãos jataienses mostraram ontem um pouco do trabalho que garante ou complementa a renda de muitas famílias no município de 14 mil habitantes.
Foi a terceira edição da feira que recebeu o festivo nome de ''Fazendo Arte na Ilha do Baiano''. Organizado pela Associação dos Artesãos de Jataizinho, com apoio da prefeitura, o evento tem como intuito dar visibilidade aos trabalhos manuais e divulgar um dos locais mais atrativos da região. ''Queremos mostrar que Jataizinho tem artesanato, tem ponto turístico, tem muita coisa para se ver'', promoveu a organizadora da feira, Celina Leite.
Uma tenda colorida amarrada no alto das árvores delimitou o espaço da exposição. Debaixo dela, uma variedade deliciosa de caixinhas ornamentadas, panos de prato, cortinas, tapetes, bonequinhas, miniaturas, louças decoradas, bijuterias, doces e biscoitos. Frutos de mãos habilidosas e mentes criativas como a de Constantino Pedro de Souza, 78 anos, ''revelado'' como artesão há apenas uma década.
''Trabalhei muito tempo como padeiro e pedreiro, até que me aposentei por invalidez após um acidente'', contou. Mas inválido é tudo que ele não é quando tem em mãos matéria-prima para criar objetos decorativos, utilitários e brinquedos. Alguns modelos saem dos manuais; o resto, da imaginação. ''Procuro aprender coisas diferentes, para não ficar competindo com os outros. Não faço para ganhar; às vezes vendo um e dou dois'', revelou.
Souza ingressou na carreira a partir do grupo de idosos da Associação de Proteção à Maternidade e Infância (APMI), uma das entidades que expôs na feira da ilha. Maria Júlia Esten, 61 anos, integrante do grupo de mulheres também ligado à APMI, levou seu artesanato em crochê e aproveitou para fazer turismo. ''Vivo há 13 anos em Jataizinho, mas nunca tinha vindo à ilha. Estou adorando'', comemorou. ''O lucro das vendas é repartido entre eles, mas não é só isso. O artesanato é um meio de ocupar a cabeça para não travar'', salientou a instrutora da APMI, Edisleuza Maria da Silva Melo.
Fonte de renda - Segundo a presidente da Associação de Artesãos, Adriana Isabel Silvério Rodrigues, a entidade congrega cerca de 30 pessoas, mas ainda está tentando se reestruturar. ''Para grande parte dessa gente, o artesanato é a única fonte de renda. Juntos, conseguimos inserir os produtos em feiras e festas, que são como vitrines: o pessoal pega os contatos e faz encomendas depois'', observou.
A mesma expectativa levou artesãos independentes como Francielly Fernandes Germano, 22 anos, a expor pela primeira vez no evento. Recém-formada em nutrição, ela ganha dinheiro confeccionando bijuterias enquanto não consegue colocação no mercado formal. ''Dá lucro porque a mulherada adora. Penso até em montar uma loja'', confidenciou.
Em perfeita harmonia com o visual da ilha, as caixas, cachepôs, redes de dormir e até tochas de casamento feitas em bambu também marcaram a estréia de Anderson Almagro, 34 anos, o ''Pitoco'', na feira. Fora dela, contudo, ele já tem tradição no ramo, herdada de duas gerações. ''Meu avô começou com objetos mais rústicos. Conforme o tempo vai passando, você precisa fazer umas coisas diferenciadas'', observou.
Os produtos são fornecidos para mercados e floriculturas de Londrina e região, além de serem vendidos numa banca à margem da BR-369. Assim como o pai, militar aposentado, Almagro concilia o artesanato com uma profissão formal: ele é socorrista de uma concessionária de pedágio. ''Mas isso aqui é um vício. Você pega amor e não consegue parar.''


