Uma hora para esquecer dos problemas
Com diferentes idades e profissões, as mulheres da turma de ginástica do Jardim Santo Antônio são unânimes ao dizer que as aulas funcionam como ''terapia''. Entre um movimento e outro, elas desabafam e vão deixando os problemas do dia-a-dia para trás.
''É uma hora em que a gente não lembra nada do que acontece lá fora. Tem muita gente com depressão, que vai conversando e se sentindo melhor'', diz a doméstica Jandira Gomede, 54 anos, há cinco anos no projeto. Segundo ela, quando alguém está de ''baixo astral'' e pensa em desistir da atividade, as colegas não deixam a peteca cair. ''Uma incentiva a outra. Se está cansada hoje, venha nem que seja só para assistir.''
A costureira Agenilda Lacerda Polpeta, 49 anos, conta que várias colegas de ginástica tornaram-se amigas, ''de vir na casa e ir para a festa juntas''. Nas aulas, elas compartilham alegrias e tristezas. ''Tem vezes que a gente chega chorando e depois já está todo mundo rindo. Torna-se uma família'', afirma. Também há, claro, o benefício físico. ''Fico muito sentada no meu serviço e com a ginástica eu descanso e me fortaleço ao mesmo tempo'', elogia.
Se dependesse da dona-de-casa Iraci de Fátima, 47 anos, o projeto nunca teria férias. ''Quando não tem aula, fico desesperada. Só de estar junto com as colegas, todo mundo com uma palavra amiga quando a gente precisa, já faz valer tudo'', considera.
Para selar a confraternização, todo final de ano a turma faz festa, amigo secreto e apresenta um número de dança junto com outros grupos da cidade. ''O nosso ficou em primeiro lugar no ano passado. Foi inesquecível'', orgulha-se Jandira. Quanto à reciclagem, as alunas garantem que a incorporaram como hábito, independente do projeto. ''Quando entro em férias, separo lixo do mesmo jeito e entrego para catadores. Eu me sinto bem fazendo isso'', ressalta Iraci. (V.N.)





