Quando o cachorrinho sai da gaiola e corre, de rabo abanando, para o colo do novo dono, começa uma história que pode trilhar dois caminhos: de muita alegria e carinho ou de problemas, causados por descuidos e maus tratos. A diferença entre as duas trajetórias, muitas vezes, está na orientação dada aos ''futuros pais e irmãozinhos'' do bicho pelos donos de pet shops. ''É importante que as pessoas saibam: elas estão comprando ou ganhando um membro da família, que vai acompanhá-los por anos'', destaca o proprietário de uma loja de venda de aves, Marcelo Eduardo Costa.
Ele comercializa diversas espécies de canários, periquitos e aves exóticas. Na moda, as calopsitas, espécie australiana, são as mais procuradas. Por mês, ele vende cerca de 90 delas. ''As calopsitas podem se tornar grande companheiras, porque se bem cuidadas desde pequenas são muito dóceis. Só que elas exigem cuidados especiais, pois podem ter doenças respiratórias, ácaro e até afta''.
Como elas costumam viver em média 12 anos, ele afirma orientar bem quem quer levar uma para casa. ''Senão a pessoa solta, devolve ou doa para alguém que não vai cuidar direito. Por isso eu pergunto bem claramente se ela vai cuidar como deve e, se for meu cliente, procuro acompanhar a vida do animal''. Tanto cuidado não é exagero, além de se tratar de um ser vivo, ele não custa barato, varia de R$ 80,00 a R$ 100,00. ''Não é um brinquedo que se enjoa e joga fora, é uma vida''.
Pensando nisso, o casal João Nunes e Bruna Tamega está visitando lojas de animais de Londrina para escolher um bicho de estimação. ''Acho que é preciso querer o animal, ter carinho, espaço e também condições financeiras de mantê-lo'', diz o rapaz. Ele ainda conta que faz tempo que quer um cachorro. ''Mas ainda não tenho como cuidar dele direito, por questões de tempo. Então estamos escolhendo calmamente''.
A presidente da ONG SOS Vida Animal, Andrea Jacomossi Sant'Anna, concorda com o casal, mas ressalta que, infelizmente, muitas pessoas não pensam assim. ''Várias querem o cachorro como arma, para criar preso e ficar bravo. Outras mudam de casa para apartamento e deixam o animalzinho preso na coleira, sem água e sem comida e vão embora. São infinitas situações de maus-tratos. Só que eu penso o seguinte: o cuidado que uma pessoa tem com um bicho, revela como ela é como ser humano''. (G.B.)

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