Walter Ogama
De Londrina
Amazino e Brigida Guerber, ele com 85 anos a serem completados no próximo dia 4 e ela com 84 comemorados no último dia 2, tiraram da miséria e dos problemas familiares 11 pessoas, que são criadas como filhos. Casados há 66 anos, os Guerber são pais biológicos de nove mulheres e três homens, todos já casados. Além deles, adotaram uma menina que faleceu quando tinha 23 anos de idade e criaram outras nove crianças, que só deixaram o lar de Amazino e Brigida quando casaram. Há um ano, os Guerber conseguiram a guarda definitiva de F.R.G.A., hoje com 10 anos, que sofria violência física, emocional e de omissão cometida pelo pai e pela madrasta.
Enquanto um grupo de estudo trabalha contra os maus-tratos e os abusos cometidos dentro do lar, casal de Londrina é exemplo de dedicação aos que sofrem algum tipo de violência
Casos de violência doméstica pelos pais ou responsáveis contra crianças, ou maridos contra as mulheres, ou filhos dependentes de drogas contra os pais, merecem a atenção do Grupo de Estudos de Londrina, uma entidade criada há cerca de um ano e formada por representantes do Conselho Tutelar, Secretaria Especial da Mulher, Secretaria da Ação Social, Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente, e Associação Médica de Londrina.
O grupo tem o objetivo de combater a violência doméstica e assistir as vítimas, como tem feito a psicóloga Mari Nilza Ferrari de Barros, do Departamento de Psicologia Social e Institucional da Universidade Estadual de Londrina através de um projeto de extensão.
Mas enquanto as iniciativas para combater as agressões físicas e verbais cometidas dentro de casa contam ainda com pouca participação da sociedade, uma forma aterrorizante de violência ronda alguns lares: o abuso sexual pelos pais contra os filhos. Na última terça-feira, o promotor da Vara da Infância e Juventude de Londrina, Marcos Neri de Almeida, se deparou com um caso desses: uma criança de apenas 3 anos de idade foi internada num hospital da cidade com sangramento no ânus.
Amazino e Brigida Guerber, que deixam as lágrimas escorrer pelos rostos quando o menino F.R.G.A. os chama de pai e mãe, vivem para socorrer pessoas que foram vítimas de pais violentos ou que sofreram outra forma de agressão: a da estrutura social que obriga uma família a se desfazer de um filho, por falta de condições para criá-lo.
Leia mais sobre o assunto nas páginas 2 e 3 deste caderno

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